Evangelho (Comentado)

FONTES:


Ano A - 01 de setembro de 2014

Lucas 4,16-30

Aleluia, aleluia, aleluia.
O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o
Evangelho (Lc 4,18).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
4 16 Jesus dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado.
Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para
ler.
17 Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro,
escolheu a passagem
onde está escrito:
18 "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e
enviou-me para
anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração,
19 para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da
vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do
Senhor".
20 E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos
estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
21 Ele começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu este oráculo que vós
acabais de ouvir".
22 Todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça,
que procediam da sua boca, e diziam: "Não é este o filho de José?"
23 Então lhes disse: "Sem dúvida me citareis este provérbio: Médico,
cura-te a ti mesmo; todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum, segundo
ouvimos dizer, faze-o também aqui na tua pátria".
24 E acrescentou: "Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito
na sua pátria.
25 Em verdade vos digo: muitas viúvas havia em Israel, no tempo de
Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome por toda
a terra;
26 mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em
Sarepta, na Sidônia.
27 Igualmente havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta
Eliseu; mas nenhum deles foi limpo, senão o sírio Naamã".
28 A estas palavras, encheram-se todos de cólera na sinagoga.
29 Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o
alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam
precipitá-lo dali abaixo.
30 Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se.
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

CUMPRE-SE A ESCRITURA
  O texto de Isaías, lido por Jesus numa assembléia litúrgica na sinagoga de
  Nazaré, possibilitou-lhe explicitar o sentido de sua presença e de sua missão,
  na Terra. O profeta falava de um Ungido do Senhor, enviado com uma missão bem
  precisa junto aos marginalizados deste mundo. Por meio deles, os pobres
  ouviriam a Boa Nova da libertação, os angustiados seriam consolados, os
  presos anistiados, os cegos voltariam a enxergar e os oprimidos ver-se-iam
  livres da opressão. Estas categorias de pessoas são a síntese da humanidade
  sofredora, carente de misericórdia.
  Ao anunciar que a profecia estava se cumprindo naquele momento, Jesus
  proclamava que, mediante o seu ministério, iniciava-se, para os pobres,
  aflitos, presos, cegos e oprimidos, o Reino da definitiva libertação. Sua
  missão consistia em ser a presença libertadora do Pai junto às vítimas do
  egoísmo humano. Doravante, descortinou-se para elas a possibilidade de
  reconquistar a dignidade de seres humanos, e de superar a situação a que
  estavam relegadas.
  Efetivamente, ao longo de seu ministério, os pobres receberam de Jesus
  mostras de benevolência: sentiam-se acolhidos e amados por ele. Assim, a
  profecia tornava-se realidade, mas também deve continuar a ser realizada na
  vida dos discípulos de Jesus. Também estes, como o Mestre, devem ser, para os
  pobres, mediação da misericórdia divina.
 
  Oração
  Espírito de benevolência


 

Ano A - 2 de setembro de 2014

Lucas 4, 31-37

Aleluia, aleluia, aleluia.
Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo (Lc 7,16).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
4 31 Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e ali
ensinava-os aos sábados.
32 Maravilharam-se da sua doutrina, porque ele ensinava com
autoridade.
33 Estava na sinagoga um homem que tinha um demônio imundo, e
exclamou em alta voz: 34 "Deixa-nos! Que temos nós contigo, Jesus de
Nazaré? Vieste para nos perder? Sei quem és: o Santo de Deus!"
35 Mas Jesus replicou severamente: "Cala-te e sai deste homem". O
demônio lançou-o por terra no meio de todos e saiu dele, sem lhe fazer mal
algum.
36 Todos ficaram cheios de pavor e falavam uns com os outros: "Que significa
isso? Manda com poder e autoridade aos espíritos imundos, e eles saem?"
37 E corria a sua fama por todos os lugares da circunvizinhança.
Palavra da Salvação.





 


 

Comentário do Evangelho


 

A RUÍNA DO ESPÍRITO MAU
  A desarticulação dos esquemas do espírito mau fazia parte do ministério de
  Jesus. Vítima das forças demoníacas, o ser humano via-se privado de sua
  dignidade e reduzido à condição de inimigo de Deus. A libertação tornava-se
  uma exigência premente. Em todas as circunstâncias em que se defrontou com
  alguém subjugado pelo espírito mau, Jesus não se furtou em socorrê-lo.
  Assim aconteceu com o homem possuído por um espírito impuro, encontrado na
  sinagoga de Cafarnaum.
  Não deixa de ser contraditória a presença de um possesso na assembléia
  litúrgica sinagogal, em dia de sábado. Tem-se a impressão de que ele foi lá
  só para se defrontar com o "Santo de Deus". Foi é a maneira como se
  dirigiu a Jesus.
  O demônio constatou a inexistência de pontos em comum entre ele e Jesus.
  Aliás, pensou que este nada teria a ver com ele. Enganou-se! Ele está na mira
  do "Santo de Deus" para ser arruinado e ser obrigado a pôr fim à
  opressão imposta aos seres humanos. Estava chegando ao fim sua liberdade de
  ação. Doravante, iria defrontar-se com o Messias, o qual se colocaria sempre
  na defesa da pessoa que estivesse fragilizada por sua ação maligna.
  O Mestre agiu com severidade, servindo-se da autoridade e do poder recebidos
  do Pai. E o homem, livre da opressão demoníaca, pode finalmente associar-se à
  assembléia cultual.
 
 
 


 

Ano A - 3 de setembro de 2014

Lucas 4,38-44

Aleluia, aleluia, aleluia.
O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o
Evangelho (Lc 4,18).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 4 38 saindo Jesus da sinagoga, entrou na
casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta; e pediram-lhe por ela.
39 Inclinando-se sobre ela, ordenou ele à febre, e a febre deixou-a.
Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los.
40 Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas
moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava.
41 De muitos saíam os demônios, aos gritos, dizendo: "Tu és o Filho
de Deus". Mas ele repreendia-os severamente, não lhes permitindo falar, porque
sabiam que ele era o Cristo.
42 Ao amanhecer, ele saiu e retirou-se para um lugar afastado. As
multidões o procuravam e foram até onde ele estava e queriam detê-lo, para que
não as deixasse.
43 Mas ele disse-lhes: "É necessário que eu anuncie a boa nova do
Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão".
44 E andava pregando nas sinagogas da Galiléia.
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

IMPONDO A MÃO SOBRE CADA UM
  No trato com as pessoas doentes, Jesus se comportava como um médico delicado.
  Deparando-se com a sogra de Simão Pedro, vitimada por uma febre muito forte,
  inclinou-se sobre ela e deu ordem para que a febre desaparecesse. Mostrou
  igual bondade quando lhe trouxeram pessoas acometidas de várias doenças. Com
  muita mansidão e paciência, aproximava-se de cada uma, impunha-lhe a mão na
  cabeça e a curava.
  A imposição das mãos revelava não só o cuidado de Jesus pelos enfermos, mas
  também sua solidariedade com eles. A comunhão com o Filho de Deus
  desmascarava a submissão as forças demoníacas que os mantinha escravos.
  Enquanto a presença solidária de Jesus era portadora de vida e saúde, a
  presença das forças malignas causava sofrimento e morte. Daí a necessidade de
  libertar as pessoas desta situação humilhante.
  Na cultura da época, as doenças revelavam o poder do demônio sobre o ser
  humano. De qualquer forma, eram consideradas como conseqüência do pecado. A
  cura física e espiritual transformava-se, pois, numa evidente manifestação de
  que o Reino de Deus havia chegado pela presença e pelo ministério de Jesus,
  irrompendo na história humana. Assim, a atitude misericordiosa de Jesus em
  relação aos doentes expressava a solidariedade de Deus com toda a humanidade,
  com o desejo de salvá-la.
 
 


 

Ano A - 4 de setembro de 2014

Lucas 5,1-11

Aleluia, aleluia, aleluia.
Vinde após mim, disse o Senhor, e eu ensinarei a pescar gente (Mt 4,19).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 5 1 estando Jesus um dia à margem do lago
de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus.
2 Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, - pois os
pescadores haviam descido delas para consertar as redes -,
3 subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a
afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo.
4 Quando acabou de falar, disse a Simão: "Faze-te ao largo, e lançai
as vossas redes para pescar".
5 Simão respondeu-lhe: "Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada
apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede".
6 Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se
lhes rompia.
7 Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que
viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam
ao fundo.
8 Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou:
"Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador".
9 É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por
causa da pesca
que haviam feito.
10 O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram
seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: "Não temas; doravante serás
pescador de homens".
11 E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

Tudo começou com um encontro fortuito com
  Jesus. Comprimido pelas multidões ansiosas para ouvir a Palavra de Deus, o
  Mestre pediu a Simão um favor: levá-lo em sua barca um pouco para dentro do
  lago de Genesaré, não muito longe da margem, para que pudesse falar às
  multidões. Seu pedido foi prontamente atendido.
  Quando concluiu a pregação, deu a Simão uma ordem inesperada: conduzir o barco
  para águas mais profundas e lançar a rede. Simão tinha trabalhado, em vão,
  toda a noite, mas por obediência à ordem do Mestre, lançou novamente a rede.
  E disto resultou uma pesca espetacular. Entretanto, o fato mais notável foi
  Simão ter tido a chance de reconhecer Jesus como Messias. O espanto que se
  apoderou dele e de seus companheiros foi semelhante ao que, no Antigo Testamento,
  acontecia nas teofanias, quando pessoas achavam que iriam morrer, caso vissem
  a Deus.
  Simão reconheceu em Jesus a manifestação da divindade. E Jesus exortou-o a
  não ter medo, pois sua vida havia sido transformada. Doravante, teria outra
  preocupação, não mais com peixes, mas com pessoas humanas.
  Simão aceitou a tarefa de ser pescador de gente, e pôs a seguir Jesus.
  Começava para ele uma nova vida.
 
 
 


 

Ano A - 5 de setembro de 2014

Lucas 5,33-39

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas
terá a luz da vida (Jo 8,12).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 5 33 os fariseus e os mestres da lei
disseram a Jesus: "Os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam
com freqüência e fazem longas orações, mas os teus comem e bebem".
34 Jesus respondeu-lhes: "Porventura podeis vós obrigar a jejuar os
amigos do esposo, enquanto o esposo está com eles?
35 Virão dias em que o esposo lhes será tirado; então jejuarão".
36 Propôs-lhes também esta comparação: "Ninguém rasga um pedaço de
roupa nova para remendar uma roupa velha, porque assim estragaria uma roupa
nova. Além disso, o remendo novo não assentaria bem na roupa velha.
37 Também ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o
vinho novo arrebentará os odres e entornar-se-á, e perder-se-ão os odres;
38 mas o vinho novo deve-se pôr em odres novos, e assim ambos se
conservam.
39 Demais, ninguém que bebeu do vinho velho quer já do novo, porque
diz: O vinho velho é melhor".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

O VELHO E O NOVO
  Vivendo numa sociedade religiosa muito tradicional e conservadora, a pregação
  de Jesus colocou a novidade que trazia em conflito com os esquemas
  esclerosados, dos quais as lideranças religiosas não queriam abrir a mão.
  A questão do jejum situa-se neste contexto. Os mestres da Lei e os fariseus,
  seguidos pelos discípulos de João, davam grande valor à prática do jejum,
  mostrando-se muito fiéis a esta tradição. Por isso, a orientação dada aos
  discípulos contrastava com o pensamento deles. Mesmo sem negar o valor do
  jejum, Jesus lhe dava pouca importância. Sua missão centrava-se em algo muito
  mais importante: levar as pessoas à prática do amor, a melhor forma de se
  mostrarem reconhecidas a Deus e ser-lhe agradáveis.
  A compreensão e a aceitação do ponto de vista de Jesus supunha predisposição
  para abraçar a novidade que proclamava, sem colocar obstáculos. Querer
  misturar as coisas seria como remendar roupa velha com um pedaço de pano
  novo, ou depositar vinho novo em recipientes velhos. Ambas as situações
  seriam desastrosas: a roupa ganharia um rasgão ainda maior e o vinho se
  derramaria todo. Mais prudente seria fazer a roupa toda com pano novo, e
  guardar o vinho em recipientes novos.
  Assim, os discípulos foram alertados sobre a incompatibilidade entre o novo,
  pregado por Jesus, e o velho defendido pelos líderes religiosos. A prudência
  exigia que fossem cautelosos.
 
 


 

Ano A - 6 de setembro de 2014

Lucas 6,1-5

Aleluia, aleluia, aleluia.
Sou o caminho, a verdade e a vida: ninguém vem ao Pai, senão por mim (Jo 14,6)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
6 1 Em dia de sábado, Jesus atravessava umas plantações;
seus discípulos iam colhendo espigas (de trigo), as debulhavam na mão e comiam.
2 Alguns dos fariseus lhes diziam: "Por que fazeis o que não é
permitido no sábado?"
3 Jesus respondeu: "Acaso não tendes lido o que fez Davi, quando
teve fome, ele e os seus companheiros;
4 como entrou na casa de Deus e tomou os pães da proposição e deles
comeu e deu de comer aos seus companheiros, se bem que só aos sacerdotes era
permitido comê-los?"
5 E ajuntou: "O Filho do Homem é senhor também do sábado".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

O SENHOR DO SÁBADO
  Sendo Jesus o Filho do Homem, pleno de poderes recebidos do Pai, podia agir
  com liberdade diante da tradição. Pouca importância tinha para ele as
  distinções minuciosas e as interpretações casuístas que corriam nos ambientes
  farisaicos. No caso do repouso sabático, colocava-se acima dos limites sutis
  entre as ações proibidas e aquelas permitidas, no dia consagrado ao Senhor.
  Daí sua atitude de indiferença quanto ao fato de seus discípulos, ao
  atravessar um trigal em dia de sábado, terem apanhado espigas e comê-las. Em
  que este gesto representava um desrespeito a Deus? Por que classificá-lo como
  pecaminoso e, por isso, proibi-lo? Jesus não via nele motivos para censurar
  seus discípulos, e impedi-los de praticar esta ação.
  Se Davi tomou a liberdade de saciar sua fome com pães consagrados, que só aos
  sacerdotes era permitido comer, o Filho do Homem estava agindo muito mais
  corretamente com os seus discípulos! Sua superioridade em relação ao antigo
  rei de Israel permitia-lhe liberá-los da submissão às prescrições judaicas.
  Jesus concedia, assim, aos discípulos uma liberdade desconhecida no mundo dos
  mestres da Lei e dos fariseus. A ação de Jesus fundava-se num dado que seus
  adversários desconheciam: sua condição de Filho de Deus.
 
 
 


 

Ano A - 7 de setembro de 2014

Mateus 18,15-20

Aleluia, aleluia, aleluia.
O Senhor reconciliou o mundo em Cristo, confiando-nos sua palavra; a palavra da
reconciliação, a palavra que hoje, aqui, nos salva (2Cor 5,19).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 18 15
"Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele
somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão.
16 Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que
toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas.
17 Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a
Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.
18 Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será
ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no
céu.
19 Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para
pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus.
20 Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu
no meio deles".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

CORRIGIR COM DISCERNIMENTO
  É preciso agir com extremo discernimento, quando se trata de afastar um
  membro da comunidade do convívio fraterno. Em geral, as lideranças da
  comunidade são tentadas a deixar-se levar por critérios irrelevantes,
  revelando-se injustos contra quem cometeu uma falta. Uma decisão deste porte
  não pode depender de preconceitos ou do que pensam os líderes. Importa
  somente fazer a vontade de Deus.
  A comunidade cristã deve rezar e refletir muito, antes de excomungar alguém.
  Sua decisão deve corresponder ao pensamento de Jesus. Por isso, é necessário
  evitar que a reunião onde se toma uma tal decisão se assemelhe a um tribunal
  onde se submete a pessoa a um juízo inclemente. O melhor lugar para se
  decidir isso é a assembléia eucarística. A ela se refere a afirmação do
  Senhor: "Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, estou ali, no
  meio deles". Neste caso, trata-se de uma reunião bem específica, na qual
  a comunidade põe-se de acordo para pedir a luz divina, antes de decidir sobre
  a sorte do membro que errou. Se a comunidade pede com sinceridade, poderá
  estar certa de ser atendida pelo Pai.
  A decisão comunitária, se tomada seriamente, terá o aval de Deus. Ou seja, se
  o membro for desligado da comunidade terrestre, será também desligado da
  comunidade celeste. O Pai confirma o veredicto da comunidade que agiu com
  discernimento.
 
 
 


 

Ano A - 8 de setembro de 2014

Mateus 1,1-16.18-23

Aleluia, aleluia, aleluia.
Sois feliz, virgem Maria, e mereceis todo louvor; pois de vós se levantou o sol
brilhante da justiça, que é Cristo, nosso Deus, pelo qual nós fomos salvos
!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
1 1 Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de
Abraão.
2 Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus
irmãos.
3 Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. Farés gerou Esron. Esron gerou
Arão.
4 Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon.
5 Salmon gerou Booz, de Raab. Booz gerou Obed, de Rute. Obed gerou
Jessé. Jessé gerou o rei Davi.
6 O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias.
7 Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa.
8 Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias.
9 Ozias gerou Joatão. Joatão gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias.
10 Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amon. Amon gerou Josias.
11 Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no cativeiro de Babilônia.
12 E, depois do cativeiro de Babilônia, Jeconias gerou Salatiel.
Salatiel gerou Zorobabel.
13 Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliacim. Eliacim gerou Azor.
14 Azor gerou Sadoc. Sadoc gerou Aquim. Aquim gerou Eliud.
15 Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó.
16 Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é
chamado Cristo.
17 Portanto, as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde
Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro
até Cristo, quatorze gerações.
18 Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada
com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do
Espírito Santo.
19 José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la,
resolveu rejeitá-la secretamente.
20 Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em
sonhos e lhe disse: "José, filho de Davi, não temas receber Maria por
esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo.
21 Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele
salvará o seu povo de seus pecados.
22 Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou
pelo profeta:
23 Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará
Emanuel, que significa: Deus conosco".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

Mateus inicia seu Evangelho com uma
  genealogia de Jesus, através de José, incluindo-o na descendência de Davi.
  Enquanto em Lucas o anúncio do nascimento de Jesus é feito a Maria, em Mateus
  este anúncio é dirigido a José. O destaque dado a José valoriza esta
  genealogia. Jesus seria o messias poderoso, que atenderia às expectativas do
  judaísmo, conforme o Antigo Testamento. Contudo, a herança messiânica a
  partir da paternidade de José pode ser descartada. Prevalece a maternidade
  divina de Maria, pela qual é concedido o dom da vida eterna a todos, homens e
  mulheres.
 
  Oração
  Senhor Jesus, apesar de minhas fraquezas e limitações, conta também comigo
  para ser servidor do teu Reino.
 
  (O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório - Jesuíta,
  Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE


 

Ano A - 9 de setembro de 2014

Lucas 6,12-19

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu vos escolhi a fim de que deis, no meio do mundo, um fruto que dure.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
6 12 Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para
rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus.
13 Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre
eles que chamou de apóstolos:
14 Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago,
João, Filipe, Bartolomeu,
15 Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador;
16 Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o
traidor.
17 Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande
número de seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judéia, de
Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo
e ser curadas das suas enfermidades.
18 E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres.
19 Todo o povo procurava tocá-lo, pois saía dele uma força que os
curava a todos.
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

UMA ESCOLHA FEITA COM DISCERNIMENTO
  A escolha dos doze Apóstolos deu-se num processo de oração e de
  discernimento. Tratava-se de um ato importante no contexto da missão de
  Jesus. Ele não podia ser movido por critérios que não fossem aqueles do
  Reino. Teria incorrido em erro se escolhesse somente quem lhe era simpático,
  quem fosse rico ou de família nobre ou, então, quem lhe pudesse oferecer
  ajuda financeira.
  Só a obediência ao Pai, depois de uma noite passada em oração, explica por
  que Jesus escolheu um punhado de pessoas humanamente tão pouco qualificadas.
  E mais: gente que haveria de traí-lo, abandoná-lo, renegá-lo. Entretanto, foi
  assim que se manifestou a sabedoria divina. A consolidação do Reino, na
  história humana, haveria de ser obra de Deus. A precariedade de dotes nas
  pessoas escolhidas para serem instrumento de sua ação demonstrou-o muito bem.
  Embora humanamente cheios de limitações, os doze Apóstolos receberam a missão
  de levar adiante a missão iniciada por Jesus, o enviado do Pai. A ação deles
  revelou-se grandiosa, porque souberam confiar plenamente em Deus e deixar-se
  guiar por ele.
  O tempo demonstrou o acerto de Jesus na escolha dos doze. Excetuando Judas
  Iscariotes, que não soube confiar no perdão misericordioso de Jesus, todos os
  demais apóstolos assumiram com um ardor incrível sua missão de servidores do
  Reino.


 

Ano A - 10 de setembro de 2014

Lucas 6,20-26

Aleluia, aleluia, aleluia.
Meus discípulos, alegrai-vos, exultai de alegria, pois grande é a recompensa
que nos céus tereis um dia! (Lc 6,23).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 6 20 então Jesus ergueu os olhos para os
seus discípulos e disse: "Bem-aventurados vós que sois pobres, porque
vosso é o Reino de Deus!
21 Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis fartos! Bem-aventurados
vós que agora chorais, porque vos alegrareis!
22 Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos
expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem o vosso nome como infame por
causa do Filho do Homem!
23 Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso
galardão no céu. Era assim que os pais deles tratavam os profetas.
24 Mas ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação!
25 Ai de vós, que estais fartos, porque vireis a ter fome! Ai de
vós, que agora rides, porque gemereis e chorareis!
26 Ai de vós, quando vos louvarem os homens, porque assim faziam os
pais deles aos falsos profetas!"
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

BEM-AVENTURANÇAS E MALDIÇÕES
  A postura diante de Deus e de seu Reino gerava um nítido contraste mesmo
  entre os discípulos de Jesus. De um lado, estavam os declarados
  bem-aventurados. Do outro, os que se tornaram objeto de maldição. Os
  primeiros eram os que viviam na pobreza, padeciam fome e choravam e eram
  odiados por causa de Jesus. Sua opção pelo Reino não lhes permitia pactuar
  com a maldade do mundo, nem os deixava cair na tentação de serem aliciados
  por suas falsas promessas de riqueza e bem-estar. Sua recompensa só podia vir
  do Pai. Assim, era possível rejubilar e saltar de alegria, mesmo padecendo
  privações.
  No polo
  oposto, estavam os que não contavam efetivamente com Deus e julgavam poder
  construir sua salvação com as próprias mãos. Confiavam na riqueza e viviam na
  fartura. Sua vida era feita de alegrias efêmeras. Cuidavam de ser louvados e
  bem-vistos por todos. Este projeto de vida, a longo prazo, se mostraria
  inconsistente e seu resultado, desolador. A riqueza transformar-se-ia em
  privação, a fartura em fome, a alegria em luto e pranto, a fama em opróbrio. Trata-se,
  portanto, de um projeto de vida do qual o discípulo deve precaver-se.
  Tanto as bem-aventuranças quanto as maldições referem-se aos discípulos de
  Jesus. Ou seja, o seguimento do Mestre nem sempre os levava a comungarem
  efetivamente com o projeto de Jesus. As palavras dele, pois, funcionavam como
  um forte alerta.
 
  Oração
  Senhor Jesus, faze-me sempre trilhar o caminho das bem-aventuranças,
  colocando toda minha vida e minha esperança nas mãos do Pai.


 

Ano A - 11 de setembro de 2014

Lucas 6,27-38

Aleluia, aleluia, aleluia.
Se nós nos amamos, irmãos, Deus vive unido conosco e, em nós, seu amor fica
pleno! (1Jo 4,12).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 6 27 falou Jesus aos seus discípulos:
"Digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos
odeiam,
28 abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam.
29 Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. E ao que
te tirar a capa, não impeças de levar também a túnica.
30 Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho
reclames.
31 O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.
32 Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os
pecadores amam aqueles que os amam.
33 E se fazeis bem aos que vos fazem bem, que recompensa mereceis?
Pois o mesmo fazem também os pecadores.
34 Se emprestais àqueles de quem esperais receber, que recompensa
mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro
tanto.
35 Pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai,
sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do
Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus.
36 Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.
37 Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis
condenados; perdoai, e sereis perdoados;
38 dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia,
recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis
medidos vós também".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

O PAI, MODELO DE MISERICÓRDIA
  O ensinamento de Jesus a respeito do amor aos inimigos é o maior desafio para
  quem aceita tornar-se seu discípulo. Este amor aos inimigos foi especificado
  de várias maneiras. Responder o ódio com a prática do bem, a maldição com a
  bênção e a calúnia com a oração são todas formas de amar os inimigos e,
  assim, quebrar a espiral da violência. Oferecer a outra face a que o
  esbofeteou e dar a túnica a quem lhe tirou o manto são também sinais deste
  amor. O discípulo, agindo assim, reverte uma maneira esteriotipada de reagir,
  pela qual as pessoas tendem a revidar o mal com o mal e a violência com
  violência. Só é capaz de agir assim quem tem o coração repleto da misericórdia
  do Pai. Caso contrário, não terá condições de realizar os gestos heróicos
  propostos por Jesus.
  O modelo inspirador da ação cristã é a misericórdia do Pai. Ele é igualmente
  bondoso para bons e maus. Se ele respondesse às ofensas humanas, eliminando o
  pecador, boa parte da humanidade deveria desaparecer. O Pai tem paciência com
  os ingratos e malvados por nutrir a esperança de que se convertam para a
  misericórdia no trato mútuo.
  O mesmo se dá com o discípulo. A capacidade de fazer frente à violência, com
  o amor, justifica-se pela esperança de conquistar o malvado para o Reino. A
  atitude cristã pode fazer o perverso abandonar seu caminho de violência e
  levá-lo a optar pelo caminho indicado por Jesus.


 

Ano A - 12 de setembro de 2014

Lucas 6,39-42

Aleluia, aleluia, aleluia.
Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade! (Jo 17,17)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
6 39 Jesus contou uma parábola aos discípulos: "Pode
acaso um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova?
40 O discípulo não é superior ao mestre; mas todo discípulo perfeito
será como o seu mestre.
41 Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na
trave que está no teu olho?
42 Ou como podes dizer a teu irmão: Deixa-me, irmão, tirar de teu
olho o argueiro, quando tu não vês a trave no teu olho? Hipócrita, tira
primeiro a trave do teu olho e depois enxergarás para tirar o argueiro do olho
de teu irmão".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

CUIDADO COM OS FALSOS LÍDERES
  Jesus criticava a postura dos fariseus, mas também se preocupava com a
  mentalidade corrente entre os seus discípulos. Os fariseus pretendiam ser um
  exemplo consumado de piedade, só porque davam mostras de ser zelosos no
  cumprimento da Lei.
  Muitos ficavam bem impressionados com o testemunho de fidelidade a Deus, que
  eles davam. Jesus, porém, não se deixava enganar, pois conhecia a falta de
  solidez do estilo de vida dos fariseus. Pouca coisa restava além de
  exibicionismo. Portanto, era loucura deixar-se encantar por um testemunho de
  vida desse quilate. Seria como se um cego pretendesse ser guiado, com
  segurança, por outro cego.
  Entre os discípulos, difundia-se, também, uma perigosa mentalidade. Havia os
  que se mostravam severos com o irmão, censurando-lhe as mínimas faltas, sem
  estarem dispostos a corrigir as próprias faltas pessoais, muito mais graves.
  Eram hábeis para perceber um cisquinho no olho alheio, mas incapazes de
  dar-se conta da trave que tinham no próprio olho.
  Jesus não podia suportar tal hipocrisia. Para estar em condições de censurar
  o próximo, era preciso dispor-se a corrigir as próprias faltas. Neste caso, a
  severidade daria lugar à benevolência, e a impaciência, à compreensão. A
  atitude de juiz dos pecados alheios seria substituída pela solidariedade com a
  fraqueza humana.
 
  Oração
  Espírito de benevolente compreensão, dá-me um coração que saiba
  solidarizar-se com as fraquezas do próximo, sem cair na tentação de tornar-me
  seu juiz.


 

Ano A - 13 de setembro de 2014

Lucas 6,43-49

Aleluia, aleluia, aleluia.
Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará, e a ele
nós viremos (Jo 14,23).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
6 43 Disse Jesus aos seus discípulos: "Uma árvore boa não
dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto.
44 Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem
figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos.
45 O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o
homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que
o coração está cheio.
46 Por que me chamais: 'Senhor, Senhor. e não fazeis o que digo?'
47 Todo aquele que vem a mim ouve as minhas palavras e as pratica,
eu vos mostrarei a quem é semelhante.
48 É semelhante ao homem que, edificando uma casa, cavou bem fundo e
pôs os alicerces sobre a rocha. As águas transbordaram, precipitaram-se as
torrentes contra aquela casa e não a puderam abalar, porque ela estava bem
construída.
49 Mas aquele que as ouve e não as observa é semelhante ao homem que
construiu a sua casa sobre a terra movediça, sem alicerces. A torrente investiu
contra ela, e ela logo ruiu; e grande foi a ruína daquela casa".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

A ÁRVORE E SEUS FRUTOS
  Jesus procurava evitar que, entre seus discípulos, houvesse lugar para a
  inautenticidade. Afinal, eles tinham recebido a tarefa de levar adiante a
  missão do Mestre, e estariam sempre em evidência. Sua condição de mestres
  poderia levá-los a se despreocuparem em praticar o que ensinavam. Como os fariseus,
  corriam o risco de se tornarem hipócritas e ensinarem normas severas para os outros,
  e suaves para si.
  Jesus alertou os seus discípulos para estarem atentos quanto ao modo de vida
  dos líderes da comunidade. Belas palavras seriam inúteis, sem o respaldo de
  um vida condizente com os ensinamentos. Quando o modo de proceder do líder é
  censurável, é mais prudente não dar ouvido às suas palavras. Sua vida
  testemunha a incapacidade de penetrar no sentido das exigências do Reino. Sem
  esta compreensão prévia, é ousado pretender arvorar-se em guia da comunidade.
  Os frutos mostram tratar-se de uma árvore má.
  É no coração que o ser humano esconde seu verdadeiro tesouro, e não na boca.
  Quem tem o coração repleto de coisas boas, diz e faz coisas dignas de serem
  imitadas. Quem tem o coração repleto de maldade, por mais que ensine coisas
  bonitas, será incapaz de realizá-las. Por conseguinte, é melhor não lhe dar
  crédito.
  O testemunho de vida é a prova inequívoca do que se passa no coração. Em
  outras palavras, revela o que a pessoa é.
 
 
 


 

Ano A - 14 de setembro de 2014

João 3,13-17

Aleluia, aleluia, aleluia.
Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela cruz
remistes o mundo!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
3 13 "Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do
céu, o Filho do Homem que está no céu.
14 Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser
levantado o Filho do Homem,
15 para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.
16 Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho
único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para
que o mundo seja salvo por ele".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

SALVOS PELA CRUZ
  A expressão "exaltação da cruz" deve ser corretamente compreendida para se
  evitar mal entendidos. Erraria quem a interpretasse como uma apologia do
  sofrimento, privando-a do contexto em que se deu na vida de Jesus.
  O diálogo com Nicodemos ajuda-nos a encontrar o sentido da cruz, no conjunto
  do ministério do Mestre. Evocando a serpente de bronze erguida por Moisés no
  deserto, Jesus afirmava ser necessário que ele também fosse elevado para
  salvar os que haveriam de crer nele. Como a serpente de bronze era penhor de
  vida para o povo pecador que a contemplava no alto do mastro, o mesmo
  aconteceria com o Messias. A força salvadora do Filho erguido na cruz era uma
  clara manifestação da presença do Pai em sua vida. Afinal, na cruz, o Filho
  revelava sua mais absoluta fidelidade ao Pai. Por se recusar a não trilhar o
  caminho traçado pelo Pai, teve de se confrontar com a terrível experiência de
  sofrer a morte dos malfeitores. Assim, tornou-se fonte de salvação.
  A exaltação da cruz tem por objetivo glorificar Jesus por seu testemunho de
  adesão incondicional ao querer do Pai. Só é capaz deste gesto quem acolheu a
  salvação de que é portadora, e deseja mostrar-se agradecido a Jesus, por
  tamanha prova de amor. Quem se dispõe a abrir o coração e deixar a cruz dar
  seus frutos de vida e salvação, irá beneficiar-se do amor infinito que o Pai
  demonstrou pela humanidade pecadora.
 
  Oração
  Pai, ao exaltar a cruz de teu Filho Jesus, quero abrir meu coração para que
  ela frutifique em mim, renovando minha disposição de ser totalmente fiel a
  ti.
 
 


 

Ano A - 15 de setembro de 2014

João 19,25-27

Aleluia, aleluia, aleluia.
Feliz a virgem Maria, que, sem passar pela morte, do martírio ganha a palma, ao
pé da cruz do Senhor!


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, 19 25 junto à cruz de Jesus estavam de pé
sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
26 Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava,
disse à sua mãe: "Mulher, eis aí teu filho".
27 Depois disse ao discípulo: "Eis aí tua mãe". E dessa hora em
diante o discípulo a levou para a sua casa.
Palavra da Salvação.





 


 

Comentário do Evangelho


 

Às várias características próprias do
  Evangelho de João junta-se esta: ele é o único que menciona a presença da mãe
  de Jesus e de discípulos junto à cruz. Nos sinóticos, Marcos, Mateus e Lucas,
  as mulheres permanecem a
  distância, observando. A mãe de Jesus é mencionada apenas duas vezes neste
  Evangelho: no início do seu ministério, nas bodas de Caná e,
  agora, no momento de sua crucifixão. Nas duas vezes é destacada a proximidade
  entre Jesus e sua mãe. Nas bodas, quando ainda não era chegada a hora de
  Jesus, a mãe representa o antigo
  Israel
  fiel, particularmente os samaritanos, que busca o socorro de Jesus e
  reconhece que deve ser feito tudo o que ele disser. Agora é a sua hora. É a
  hora da glorificação de Jesus, a sua fidelidade plena ao projeto do Pai, até
  a morte, tendo, porém, garantida a continuidade de sua missão nas
  comunidades. Em pé, junto à cruz, destacam-se sua mãe, Maria Madalena e o
  discípulo que Jesus amava. Maria Madalena, procurando por Jesus no horto, em
  uma alusão ao Cântico dos Cânticos, representa a comunidade como esposa do
  Ressuscitado. O discípulo amado simboliza a comunidade que continuará a
  missão de Jesus. A mãe, o Israel fiel, encontrará sua identidade inserindo-se
  nestas
  comunidades.
  Oração
  Senhor Jesus, que eu seja sensível à angústia e aos sofrimentos do meu
  próximo, e ajuda-me a devolver-lhe a alegria de viver.
 
 
 


 

Ano A - 16 de setembro de 2014

Lucas 7,11-17

Aleluia, aleluia, aleluia.
Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou o seu povo (Lc 7,16).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 7 11 dirigiu-se Jesus a uma cidade
chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo.
12 Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a
ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade.
13 Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe:
"Não chores!"
14 E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam.
Disse Jesus: "Moço, eu te ordeno, levanta-te".
15 Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus
entregou-o à sua mãe.
16 Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: "Um
grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo".
17 A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a
circunvizinhança.
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

MOVIDO DE COMPAIXÃO
  Jesus era altamente sensível ao sofrimento humano. Não lhe passava
  despercebida nenhuma só situação de dor e angústia. Sua sensibilidade era
  ainda mais aguçada quando se tratava de pessoas cuja condição social as
  tornava vulneráveis, vítimas da exploração e da marginalização.
  Todo o seu ministério foi pontilhado de experiências de compaixão. O episódio
  às portas da cidadezinha de Naim é um bom exemplo disto. Aí ele se deparou
  com uma cena dramática: o enterro do filho único de uma viúva. A situação
  daquela mulher era de total desamparo: viúva e sem outros filhos para
  ampará-la. Via-se abandonada à própria sorte. Seu futuro, pois, era incerto.
  Sem esperar ser solicitado, Jesus tomou a iniciativa de devolver a esperança
  ao coração daquela mulher, pois teve compaixão dela. Não se limitou, porém, a
  simples palavras de consolação. Ressuscitou-lhe o filho que era levado para a
  sepultura.
  Assim, ela, bem como seu filho, passaram por um processo de revivificação.
  Marcada pela morte do esposo e do filho único, sem dúvida, ela já não tinha
  mais motivos para viver. Sua vida teria sido uma contínua espera da morte. O
  gesto misericordioso de Jesus reacendeu-lhe a chama da vida. Valia a pena
  continuar viver!
 
 


 

Ano A - 17 de setembro de 2014

Lucas 7,31-35

Aleluia, aleluia, aleluia.
Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida
eterna (Jo 6,63.68).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
7 31 "A quem compararei os homens desta geração? Com quem
se assemelham?
32 São semelhantes a meninos que, sentados na praça, falam uns com
os outros,
dizendo: Tocamos a flauta e não dançastes; entoamos lamentações e não
chorastes.
33 Pois veio João Batista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está
possuído do demônio.
34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: 'Eis um comilão
e beberrão, amigo dos publicanos e libertinos'.
35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

ATITUDES CONTRADITÓRIAS
  O modo como era tratado por seus contemporâneos deixava Jesus irritado. A má
  vontade deles levava-os a interpretar mal tudo o que o Mestre fazia. De forma
  alguma, deixavam-se convencer pelo messianismo de Jesus, mesmo vendo seus
  milagres e prodígios.
  Uma das atitudes de Jesus, censurada por eles, era sua solidariedade com os
  pecadores e as pessoas marginalizadas pela sociedade. Jesus não se
  envergonhava de ser visto na companhia desse tipo de gente, nem de sentar-se
  à mesa com ela. Sua atitude fundava-se numa profunda consciência de ter sido
  enviado para trazer a salvação, mormente aos pecadores. Sendo assim, seu
  tempo deveria ser gasto com estes e não com quem pensava ter assegurada sua própria
  salvação. Jesus estava com quem o Pai queria que ele estivesse. Ele não
  haveria de mudar de comportamento por causa das críticas e das maledicências
  alheias.
  Entretanto, o Mestre percebia na reação de seus críticos uma raiz viciada: no
  fundo, não queriam mesmo era se converter. Qualquer quer fosse a atitude de
  Jesus, teriam motivos para rejeitá-lo.
  João, em sua austeridade de vida, fora chamado de possesso. Jesus, que vivia
  sem preconceitos, era chamado de glutão e beberrão.
  A condenação desses inimigos do Mestre seria conseqüência de sua má vontade,
  que os levava a fechar-se à salvação oferecida por Deus.
 
  Oração
  Senhor Jesus, ensina-me a ser solidário com os pecadores e marginalizados, de
  modo a manifestar-lhes a misericórdia de Deus.
 
 


 

Ano A - 17 de setembro de 2014

Lucas 7,31-35

Aleluia, aleluia, aleluia.
Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida
eterna (Jo 6,63.68).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
7 31 "A quem compararei os homens desta geração? Com quem
se assemelham?
32 São semelhantes a meninos que, sentados na praça, falam uns com
os outros,
dizendo: Tocamos a flauta e não dançastes; entoamos lamentações e não
chorastes.
33 Pois veio João Batista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está
possuído do demônio.
34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: 'Eis um comilão
e beberrão, amigo dos publicanos e libertinos'.
35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

ATITUDES CONTRADITÓRIAS
  O modo como era tratado por seus contemporâneos deixava Jesus irritado. A má
  vontade deles levava-os a interpretar mal tudo o que o Mestre fazia. De forma
  alguma, deixavam-se convencer pelo messianismo de Jesus, mesmo vendo seus
  milagres e prodígios.
  Uma das atitudes de Jesus, censurada por eles, era sua solidariedade com os
  pecadores e as pessoas marginalizadas pela sociedade. Jesus não se
  envergonhava de ser visto na companhia desse tipo de gente, nem de sentar-se
  à mesa com ela. Sua atitude fundava-se numa profunda consciência de ter sido
  enviado para trazer a salvação, mormente aos pecadores. Sendo assim, seu
  tempo deveria ser gasto com estes e não com quem pensava ter assegurada sua
  própria salvação. Jesus estava com quem o Pai queria que ele estivesse. Ele
  não haveria de mudar de comportamento por causa das críticas e das
  maledicências alheias.
  Entretanto, o Mestre percebia na reação de seus críticos uma raiz viciada: no
  fundo, não queriam mesmo era se converter. Qualquer quer fosse a atitude de
  Jesus, teriam motivos para rejeitá-lo.
  João, em sua austeridade de vida, fora chamado de possesso. Jesus, que vivia
  sem preconceitos, era chamado de glutão e beberrão.
  A condenação desses inimigos do Mestre seria conseqüência de sua má vontade,
  que os levava a fechar-se à salvação oferecida por Deus.
 
  Oração
  Senhor Jesus, ensina-me a ser solidário com os pecadores e marginalizados, de
  modo a manifestar-lhes a misericórdia de Deus.
 
 


 

Ano A - 18 de setembro de 2014

Lucas 7,36-50

Aleluia, aleluia, aleluia.
Vinde a mim, todos vós que estais cansados e descanso eu vos darei, diz o
Senhor (Mt 11,28).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 7 36 um fariseu convidou Jesus a ir comer
com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa.
37 Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em
casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume;
38 e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco
depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os
cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume.
39 Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia
consigo mesmo: "Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher
que o toca, pois é pecadora".
40 Então Jesus lhe disse: "Simão, tenho uma coisa a dizer-te".
"Fala, Mestre", disse ele.
41 "Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários
e o outro, cinqüenta.
42 Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual
deles o amará mais?"
43 Simão respondeu: "A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou".
Jesus replicou-lhe: "Julgaste bem".
44 E voltando-se para a mulher, disse a Simão: "Vês esta mulher?
Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas
lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos.
45 Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de
beijar-me os pés.
46 Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me
os pés.
47 Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados,
porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama".
48 E disse a ela: "Perdoados te são os pecados".
49 Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: "Quem é
este homem que até perdoa pecados?"
50 Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: "Tua fé te salvou;
vai em paz".
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

UM GESTO DE AMOR
  Embora vivendo numa sociedade cheia de preconceitos, Jesus não se deixava
  levar por eles. Sua ação norteava-se pelas exigências do Reino; sua liberdade
  não dependia da opinião alheia. Por isso, não deixava de fazer o bem, quando
  necessário, mesmo correndo o risco de ser mal interpretado.
  O fariseu, que convidara Jesus para uma refeição, tinha uma série de
  preconceitos. Olhava para as mulheres com desprezo. No caso das prostitutas,
  este desprezo transformava-se em verdadeiro asco e repúdio. Na sua opinião,
  os mestres deveriam guardar distância dessas mulheres e não se deixar tocar
  por elas. Também esse fariseu confundia ser profeta com ser capaz de conhecer
  as intenções dos outros.
  Embora fosse o convidado, Jesus censurou seu anfitrião. Este observou, com
  malícia, o gesto amoroso de uma pecadora da cidade que entrara em sua casa,
  pondo-se a banhar os pés do Mestre com suas lágrimas, a enxugá-los com seus
  cabelos e a cobri-los de perfume. Para Jesus isto era uma manifestação de
  amor, para o fariseu, não passava de um gesto sensual. Além disso, a ação da
  mulher substituíra a falta de delicadeza do fariseu, que não realizou os
  gestos de praxe, quando da chegada de um hóspede. Enfim, aquela mulher,
  apesar de pecadora, tinha mais nobreza do que o anfitrião mal-educado e
  preconceituoso.
 
 


 

Ano A - 19 de setembro de 2014

Lucas 8,1-3

Aleluia, aleluia, aleluia.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios
do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
8 1 Depois disso, Jesus andava pelas cidades e aldeias
anunciando a boa nova do Reino de Deus.
2 Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham
sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada
Madalena, da qual tinham saído sete demônios;
3 Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas
outras, que o assistiram com as suas posses.
Palavra da Salvação.




 


 

Comentário do Evangelho


 

COLABORADORAS NA MISSÃO
  O Evangelho mostra-nos Jesus e sua comunidade itinerante a serviço da Boa
  Nova do Reino. O ministério do Mestre era exercido em comunhão com
  colaboradores e colaboradoras, todos voltados para a mesma missão.
  É fácil de entender que Jesus tivesse colaboradores. Difícil é pensar um
  Mestre rodeado de discípulas, numa sociedade onde a dignidade das mulheres
  não era reconhecida. Diríamos, hoje: era uma sociedade machista! No entanto,
  Jesus mantinha-se imune destes esquemas, não permitindo que influenciassem
  suas opções.
  As colaboradoras de Jesus são todas mulheres que o haviam procurado por
  padecer de doenças e ser vítimas dos espíritos malignos. Tendo sido
  beneficiadas pelo Mestre, acabaram por se colocar a serviço dele. Isto por
  que compreenderam a importância do ministério de Jesus. Como elas, havia
  tantas outras pessoas vítimas de enfermidades e possessões demoníacas, que
  precisavam ser curadas pelo Mestre. Por isso, pareceu-lhes sensato colocar
  seus bens a serviço desta causa nobre. Era a melhor forma de manifestar sua
  gratidão a Jesus e se mostrarem úteis.
  Para o Mestre, pouco importava a condição feminina. Importava-lhe, sim, a
  disposição interior dessas mulheres. Afinal, como ele, elas estavam dispostas
  a ser servidoras da humanidade.
 
 
 


 

Dia 20 de Setembro - Sábado

SANTOS ANDRÉ E PAULO
MÁRTIRES COREANOS
(Vermelho, Prefácio Comum ou dos Mártires - Ofício da Memória)

Evangelho (Lucas 8,4-15)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Felizes os que observam a palavra do Senhor de reto coração e que produzem
muitos frutos, até o fim perseverantes!


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 8 4 havia se reunido uma grande multidão:
eram pessoas vindas de várias cidades para junto dele. Jesus lhes disse esta
parábola:
5 "Saiu o semeador a semear a sua semente. E ao semear, parte da
semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
6 Outra caiu no pedregulho; e, tendo nascido, secou, por falta de
umidade.
7 Outra caiu entre os espinhos; cresceram com ela os espinhos, e
sufocaram-na.
8 Outra, porém, caiu em terra boa; tendo crescido, produziu fruto
cem por um". Dito isto, Jesus acrescentou alteando a voz: "Quem tem ouvidos
para ouvir, ouça!"
9 Os seus discípulos perguntaram-lhe a significação desta parábola.
10 Ele respondeu: "A vós é concedido conhecer os mistérios do Reino
de Deus, mas aos outros se lhes fala por parábolas; de forma que vendo não
vejam, e ouvindo não entendam. 11 Eis o que significa esta parábola:
a semente é a palavra de Deus.
12 Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem; mas depois
vem o demônio e lhes tira a palavra do coração, para que não creiam nem se
salvem.
13 Aqueles que a recebem em solo pedregoso são os ouvintes da
palavra de Deus que a acolhem com alegria; mas não têm raiz, porque crêem até
certo tempo, e na hora da provação a abandonam.
14 A que caiu entre os espinhos, estes são os que ouvem a palavra,
mas prosseguindo o caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas e prazeres
da vida, e assim os seus frutos não amadurecem.
15 A que caiu na terra boa são os que ouvem a palavra com coração
reto e bom, retêm-na e dão fruto pela perseverança".
Palavra da Salvação.


Comentário ao Evangelho

NÃO TER MEDO DE PERDER
A parábola do semeador tinha em vista levar os discípulos a serem realistas no
seu serviço ao Reino. Ingenuamente, eles imaginavam a Palavra sendo acolhida e
vivida por todos. Anteviam o Reino lançando raízes no coração de toda gente,
gerando conversão. Contavam com ele, tendo a primazia na vida das pessoas, de
modo que estas não cederiam às solicitações de mais ninguém. Em suma, os
discípulos não contavam com a perda.
As coisas, na verdade, não se passavam assim, e a tentação de desanimar era
forte. O fracasso deixava-os bloqueados, pois desconheciam a dinâmica do Reino.
Jesus tentou fazê-los superar este horizonte equivocado e seguir adiante sem
ter medo de perder.
O semeador deu-se por satisfeito e recompensado pela quarta parte da semente
que produzira frutos. Ele sabia que as sementes caídas à beira do caminho
seriam comidas pelos passarinhos. As caídas em terreno pedregoso haveriam de
secar logo, por faltar-lhes umidade. As lançadas em meio aos espinhos seriam
sufocadas por eles. E mais: mesmo as que caíram em terra fértil, não
frutificariam do mesmo modo. Mas, nem por isso ele se recusou a semear. Estava
certo de que os frutos viriam com certeza, embora contando com perdas
inevitáveis.
De igual modo, o discípulo, servidor do Reino, tem consciência de dever seguir
semeando a Palavra, mesmo que a colheita não tenha o sucesso com que contava.

Oração
Senhor Jesus, não me deixes desanimar diante das derrotas e dos fracassos, no
serviço do Reino; antes, faze-me ficar satisfeito com os frutos produzidos.

Dia 21 de Setembro - Domingo

XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM
(Verde, Glória, Creio - I Semana do Saltério)

Evangelho (Mateus 20,1-16)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Vinde abrir o nosso coração, Senhor; ó Senhor, abri o nosso coração, e então do
vosso filho a palavra poderemos acolher com muito amor! (At 16,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 20 1 Jesus contou esta parábola a seus
discípulos: "Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família
que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha.
2 Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha.
3 Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na
praça sem fazer nada.
4 Disse-lhes ele: 'Ide também vós para minha vinha e vos darei o
justo salário'.
5 Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona
hora, e fez o mesmo.
6 Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e
perguntou-lhes: 'Por que estais todo o dia sem fazer nada?'
7 Eles responderam: 'É porque ninguém nos contratou'. Disse-lhes
ele, então: 'Ide vós também para minha vinha'.
8 Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: 'Chama os
operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros'.
9 Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário.
10 Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber
mais. Mas só receberam cada qual um denário.
11 Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo:
12 'Os últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes tanto como a
nós, que suportamos o peso do dia e do calor'.
13 O senhor, porém, observou a um deles: 'Meu amigo, não te faço
injustiça. Não contrataste comigo um denário?
14 Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto
quanto a ti.
15 Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz?
Porventura vês com maus olhos que eu seja bom?'
16 Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão
os últimos".
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

IDE PARA A MINHA VINHA!
A vinha, no contexto bíblico, simboliza o povo de Israel. Já os profetas
serviram-se desta metáfora para falar ao povo. A vinha aponta para a predileção
da qual Israel era objeto por parte de Deus. Como o vinhateiro prepara a terra,
planta mudas escolhidas, cuida delas com muito carinho e as protege, na
esperança de que produzam frutos de qualidade, também Deus, no trato com o seu
povo, desdobra-se em atenção para que corresponda ao que espera dele.
Jesus rompeu a concepção de sua época, ensinando que a benevolência divina não
era exclusiva de Israel. A vinha de Deus, na verdade, era a humanidade inteira,
toda ela destinatária da Boa-Nova da salvação e convidada a viver em comunhão
com o Pai.
Cessam todos os privilégios tanto de Israel quanto de qualquer outro povo que queira
assenhorear-se com exclusividade da vinha, ou seja, do Reino de Deus. Deixa de
ter sentido, em termos de garantir a precedência no Reino: a quantidade ou a
qualidade do serviço prestado, a antigüidade, as funções e cargos exercidos em
favor da comunidade. E até mesmo as diferenças de caráter étnico, cultural,
social ou de gênero.
Por se tratar de uma adesão livre e gratuita ao chamado do Senhor do Reino,
ninguém tem o direito de exigir recompensa, muito menos de julgar-se merecedor
de maior recompensa. Basta-lhe a consciência de saber-se humilde servidor!

Dia 22 de Setembro - Segunda-feira

XXIV SEMANA DO TEMPO COMUM
(Verde - Ofício do Dia)

Evangelho (Lucas 8,16-18)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Vós sois a luz do mundo; brilhe a todos a vossa luz. Vendo eles vossas obras,
deem glória ao Pai celeste! (Mt 5,16)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
8 16 Disse Jesus: "Ninguém acende uma lâmpada e a cobre
com um vaso ou a põe debaixo da cama; mas a põe sobre um castiçal, para
iluminar os que entram.
17 Porque não há coisa oculta que não acabe por se manifestar, nem
secreta que não venha a ser descoberta.
18 Vede,
pois, como é que ouvis. Porque ao que tiver, lhe será dado; e ao que não tiver,
até aquilo que julga ter lhe será tirado".
Palavra da Salvação.


Comentário ao Evangelho

O BRILHO DA LUZ
A insistência de Jesus no tema da humildade e do serviço não dispensava os
discípulos de exercerem uma ação eficaz, visando a transformação do mundo. O
serviço humilde era, para Jesus, algo relevante; não podia ser reservado ao
âmbito do privado. A humanidade deveria encontrar, no agir do discípulo, um
modelo inspirador.
O Mestre ilustrou este ensinamento com a parábola da lâmpada colocada num lugar
estratégico, de modo que sua luz atingisse todos os recantos da casa. Seria
insensato colocá-la debaixo da cama, pois seu lugar natural é um candelabro bem
situado.
O discípulo, sem se deixar levar pelo orgulho e pela vanglória, não tem medo de
fazer o bem à vista de todos. Sua ação resplandecente de amor e solidariedade
ilumina as trevas do egoísmo, que contaminaram a ação humana. A violência é
denunciada pela firmeza dos mansos e humildes de coração. O egoísmo revela sua
face perversa ao ser colocado em contraste com o amor e a solidariedade. O que
crêem na justiça identificam toda ação injusta. E, assim, todo agir inspirado
na proposta do Reino vai na contramão de situações desumanizadoras que devem
ser denunciadas. Isto se dá quando o discípulo do Reino tem a coragem de
fazer-lhes frente, como a luz enfrenta e elimina as trevas. Portanto, é
incompatível com sua vocação deixar de enfrentar o mundo que deve ser
evangelizado.

Dia 23 de Setembro - Terça-feira

SÃO PIO DE PIETRELCINA
PRESBÍTERO
(Branco, Prefácio Comum ou dos Santos - Ofício da Memória)

Evangelho (Lucas 8,19-21)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus! (Lc 11,28)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 8 19 a mãe e os irmãos de Jesus foram
procurá-lo, mas não podiam chegar-se a ele por causa da multidão.
20 Foi-lhe avisado: "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam
ver-te".
21 Ele lhes disse: "Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a
palavra de Deus e a observam".
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

A FAMÍLIA DO REINO
A opção pelo Reino estabelece laços profundos de amizade entre os
discípulos, gerando neles uma solidariedade exemplar. Este parentesco
espiritual, em muitos casos, pode ser mais sólido que o próprio parentesco
sanguíneo. E, o mais importante: gera um ambiente de igualdade onde Deus Pai
nos faz todos irmãos e irmãs.
O relacionamento
físico com Jesus de Nazaré já não tem importância. A família do Reino se
constitui a partir da escuta e da vivência da Palavra de Deus e não da pertença
à família histórica de Jesus. O tempo e o espaço também não contam. Seja qual
for a época em que se vive ou se viveu, é possível sentir a proximidade
familiar em relação aos outros cristãos, desde pautemos nossa vida pela mesma
proposta do Reino. Além disso, onde quer que estejam e de onde quer que venham,
quando dois cristãos se encontram, deveriam imediatamente sentir brotar no
coração um forte afeto fraternal, por terem o mesmo projeto de vida, e estarem
unidos pela mesma opção por Jesus e por seu Reino.
Desde os primórdios, a comunidade cristã compreendeu este dado de sua
identidade. E, assim, estabeleceu uma nítida diferença em relação à tradição
judaica, cujo apego às genealogias e à consangüinidade era bem conhecida.
A família do Reino, como é constituída, pode reunir gente de todas as raças,
povos, famílias e nações.

Dia 24 de Setembro - Quarta-feira

XXV SEMANA DO TEMPO COMUM
(Verde - Ofício do Dia)

Evangelho (Lucas 9,1-6)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus! (Lc 11,28)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 9 1 reunindo Jesus os doze apóstolos,
deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades.
2 Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.
3 Disse-lhes: "Não leveis coisa alguma para o caminho, nem bordão,
nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas.
4 Em qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que deixeis
aquela localidade.
5 Onde ninguém vos receber, deixai aquela cidade e em testemunho
contra eles sacudi a poeira dos vossos pés".
6 Partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e
fazendo curas por toda parte.
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

PARTINDO EM MISSÃO
A primeira experiência missionária dos Apóstolos comportou uma série de
características que se mantém válidas para a missão da Igreja de todos os
tempos. Por exemplo, ela se deu como obediência a um mandato expresso de Jesus.
Portanto, não foi fruto da iniciativa pessoal dos Apóstolos. Eles partiram na qualidade
de emissários do Senhor.
Foi-lhes conferido o poder e a autoridade para expulsar demônios, curar doenças
e pregar o Reino de Deus. Tarefa idêntica à que foi levada adiante por Jesus. A
atividade do Mestre centrou-se no anúncio da palavra e na realização de sinais
comprovadores da irrupção do Reino na história humana. A missão dos Apóstolos
era, portanto, a continuação e a atualização da missão de Jesus. Onde quer que
estivesse um Apóstolo do Reino, aí estaria atuando Jesus meio dele.
Os Apóstolos deveriam exercer seu ministério como pobres. Nada carregavam
consigo, quando iam de aldeia em aldeia, anunciando o Evangelho e fazendo o
bem. Desta forma, as pessoas não correriam o risco de serem atraídas por outro
motivo, a não ser pela proposta de Jesus.
O testemunho de pobreza dava aos apóstolos liberdade para anunciarem o
Evangelho sem restrições. Caso não fossem acolhidos, só lhes restava ir
adiante, sem se deixar abater.

Dia 25 de Setembro - Quinta-feira

XXV SEMANA DO TEMPO COMUM
(Verde - Ofício do Dia)

Comentário ao Evangelho

O DESEJO DE VER JESUS
As palavras e os milagres de Jesus atraíam em torno dele verdadeiras multidões.
Contudo, era impossível controlar a intenção de cada pessoa. Muitos vinham por
pura curiosidade. Outros, esperando que Jesus os curasse de alguma enfermidade
ou, de qualquer forma, os libertasse. Outros, ainda, eram movidos por um desejo
sincero de escutar Jesus e tornar-se seus discípulos, escolhendo como projeto
de vida a proposta do Reino.
Esta variedade de intenções não influenciava a conduta do Mestre. Ele não
satisfazia a curiosidade das pessoas, por exemplo, fazendo milagres sob
encomenda. Suas curas beneficiavam somente àquelas que, de algum modo,
demonstravam ter fé. Os corações sinceros dependiam da vontade expressa de
Jesus para se tornarem seus discípulos. Só se punha a segui-lo quem ele chamava
pelo nome. Não adiantava oferecer-se.
O violento Herodes, tendo ouvido falar de Jesus, manifestou curiosidade de
vê-lo. Este rei não sabia de quem se tratava. As hipóteses levantadas lhe
satisfaziam. Daí seu desejo de vê-lo pessoalmente. Quiçá esperasse presenciar o
espetáculo de um milagre realizado por Jesus, pois tivera notícia de sua fama.
Seu desejo de ver o Mestre só seria realizado por ocasião da paixão. Mas,
naquela ocasião, Jesus o decepcionou, por não ceder a seus caprichos.

Dia 26 de Setembro - Sexta-feira

XXV SEMANA DO TEMPO COMUM *
(Verde - Ofício do Dia)

Evangelho (Lucas 9,18-22)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Veio o filho do homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos (Mc
10,45).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
9 18 Num dia em que ele estava a orar a sós com os
discípulos, perguntou-lhes: "Quem dizem que eu sou?"
19 Responderam-lhe: "Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros
pensam que ressuscitou algum dos antigos profetas".
20 Perguntou-lhes, então: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Pedro
respondeu: "O Cristo de Deus".
21 Ordenou-lhes energicamente que não o dissessem a ninguém.
22 Ele acrescentou: "É necessário que o Filho do Homem padeça muitas
coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos
escribas. É necessário que seja levado à morte e que ressuscite ao terceiro
dia".
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

QUEM SOU EU?
A experiência de contato com Jesus permitia aos discípulos formarem uma ideia a
respeito dele. Suas palavras e seus gestos revelavam sua identidade. O senhorio
de Deus em sua vida ficava patente na consciência de ser o Filho, enviado para
falar as palavras do Pai e realizar suas obras. As dimensões do poder que lhe
fora conferido podiam ser percebidas nos milagres e prodígios que realizava.
Sua liberdade interior evidenciava-se na insubmissão a certos costumes e
tradições, absolutizados por algumas facções religiosas da época. Sua visão de
sociedade manifestava-se no trato acolhedor dispensado às pessoas vítimas da
marginalização, na solidariedade com os sofredores, na sensibilidade diante das
injustiças, no serviço à restauração da vida. Tudo isto tinha como eixo o Reino
de Deus, anunciado e implementado por ele.
Quando Jesus dirigiu a seus discípulos a pergunta "quem sou eu?",
eles já possuíam elementos para formular uma resposta correta, diferente
daquela corrente no meio popular. A resposta de Pedro, em nome do grupo,
resumia a opinião de todos os discípulos. E Jesus confirmou a resposta dada.
Entretanto, viu-se na obrigação de oferecer um esclarecimento. O Messias estava
destinado a sofrer muito, ser vítima de rejeição, ser morto e, no terceiro dia,
ressuscitar. Que os discípulos contassem com isto!

Oração

Senhor Jesus, dá-me inteligência para conhecer, sempre mais, tua identidade
manifestada na tua vida de serviço ao Reino de Deus.

Dia 27 de Setembro - Sábado

SÃO VICENTE DE PAULO
PRESBÍTERO
(Branco, Prefácio Comum ou dos Pastores - Ofício da Memória)

Evangelho (Lucas 9,43-45)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar, pelo Evangelho,
a luz e a vida imperecíveis (2Tm 1,10).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
9 43 Todos ficaram pasmados ante a grandeza de Deus. Como
todos se admirassem de tudo o que Jesus fazia, disse ele a seus discípulos:
44 "Gravai nos vossos corações estas palavras: O Filho do Homem há
de ser entregue às mãos dos homens!"
45 Eles, porém, não entendiam esta palavra e era-lhes obscura, de
modo que não alcançaram o seu sentido; e tinham medo de lhe perguntar a este
respeito.
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

A INCOMPREENSÃO DO SOFRIMENTO
A forma como Jesus introduz sua admoestação aos discípulos demonstra a
gravidade de sua fala: "Prestem bastante atenção ao que vou dizer a
vocês!" De fato, a revelação de seu destino haveria de pegar desprevenidos
os discípulos. Eles jamais poderiam imaginar o que o Mestre lhe queria
comunicar.
Os discípulos haviam conhecido um aspecto da realidade de Jesus: seu poder
taumatúrgico, sua capacidade de fazer-se próximo dos pobres e dos pequeninos,
sua autoridade para veicular ensinamentos jamais ouvidos, sua relação profunda
com o Pai. Embora os mestres da Lei e os fariseus demonstrassem má vontade, as
multidões ouviam-no empolgadas. Aderir a ele parecia ser um passo acertado.
Quando Jesus anunciou estar "para ser entregue nas mãos dos homens",
os discípulos foram incapazes de compreender plenamente estas palavras, pois
lhes pareciam obscuras. E receavam pedir explicações ao Mestre.
A revelação de Jesus colocou em xeque tudo quanto os discípulos pensavam a seu
respeito. Pensá-lo sofredor, humilhado, aviltado nas mãos dos inimigos seria
demais. Isto significava o fracasso das esperanças acalentadas até então.
Só Jesus era capaz de compreender que a perspectiva de morte não significava o
fracasso de seu projeto. Aí, também, se realizava o desígnio do Pai.

Dia 28 de Setembro - Domingo

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM
(Verde, Glória, Creio - II Semana do Saltério)

Evangelho (Mateus 21,28-32)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam a minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu
conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar! (Jo 10,27)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
21 28 Disse Jesus: "Que vos parece? Um homem tinha
dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: 'Meu filho, vai trabalhar
hoje na vinha'.
29 Respondeu ele: 'Não quero'. Mas, em seguida, tocado de
arrependimento, foi.
30 Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho
respondeu: 'Sim, pai!' Mas não foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai?" "O primeiro",
responderam-lhe. E Jesus disse-lhes: "Em verdade vos digo: os publicanos e
as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!
32 João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os
publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes
tocados de arrependimento para crerdes nele".
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

EM NOME DE JESUS
Um fenômeno de exorcismo causou preocupação no grupo de discípulos de Jesus. A
pessoa que expulsava demônios, em nome de Jesus, não pertencia ao grupo dos
doze. A reação espontânea foi a de proibi-la, como se estivesse agindo de
maneira abusiva.
A atitude intolerante dos discípulos escondia uma forte dose de sectarismo.
Pareciam mais preocupados em garantir sua fama e o sucesso do grupo, do que com
a expansão do Reino, que prescindia deles. O exorcismo, feito por um
desconhecido, fora considerado como uma forma de concorrência. Os discípulos
sentiam que estavam perdendo o controle da missão que lhes fora confiada por
Jesus. Talvez se julgassem detentores exclusivos desta missão, não admitindo a
participação de outros.
Jesus assumiu uma atitude de extrema tolerância em relação ao exorcista anônimo
e não aprovou a proibição que lhe fora imposta. Se o indivíduo, de fato, foi
capaz de realizar um milagre, invocando o nome de Jesus, é porque, de alguma
forma, sabia-se em comunhão com ele. Seria impensável que, logo em seguida, se
pusesse a falar mal do Mestre e desmerecer sua obra. Portanto, podia continuar
livremente a fazer o bem em nome dele.
A orientação de Jesus evitou que a comunidade dos discípulos se fechasse em si
mesma, transformando-se numa seita intolerante. Foi um orientação ecumênica.

Dia 29 de Setembro - Segunda-feira

SANTOS MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL
(Branco, Glória Prefácio dos Anjos - Ofício da Festa)

Evangelho (João 1,47-51)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua
vontade! (Sl 102,21)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, 1 47 Jesus vê Natanael, que lhe vem ao
encontro, e diz: "Eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade".
48 Natanael pergunta-lhe: "Donde me conheces?" Respondeu Jesus:
"Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira".
49 Falou-lhe Natanael: "Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei
de Israel".
50 Jesus replicou-lhe: "Porque eu te disse que te vi debaixo da figueira,
crês! Verás coisas maiores do que esta".
51 E ajuntou: "Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto
e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem".
Palavra da Salvação.


Comentário ao Evangelho

SUPERANDO OS PRECONCEITOS
Os primeiros discípulos foram obrigados a superar a barreira dos preconceitos
para poder acolher Jesus como Messias e se tornar seus seguidores. Natanael não
podia aceitar que de Nazaré, cidade mal-afamada, pudesse sair algo de bom,
muito menos um Messias. A pecha de nazaretano desdobrava-se num rosário de
outras evocações tomadas como negativas. Ele era pobre, de família sem
prestígio, um indivíduo sem expressão moral ou cultural. Enfim, um
desclassificado.
Pela insistência de Filipe, Natanael se predispôs a ir ver Jesus. Seu
preconceito contrastou com a ideia altamente positiva que Jesus tinha a
respeito dele. Jesus considerava-o um israelita íntegro, sem dolo nem
fingimento. Em outras palavras, um indivíduo em cuja palavra se podia
inteiramente confiar. O próprio Jesus confiou nele e lhe fez uma solene
revelação.
A atitude de Jesus deixou Natanael desarmado, levando-o a abrir mão de seus
preconceitos. Numa atitude própria de discípulo, Natanael reconheceu Jesus como
um Rabi, ou seja, mestre, digno de veneração e respeito. Reconheceu-o, também,
como Filho de Deus, cuja origem superava as possibilidades humanas, fazendo
dele mais do que um simples filho de José da Galiléia. Reconheceu-o, ainda,
como Rei de Israel, o Messias que reavivaria a esperança no coração do povo.
Logo, de Nazaré também podia sair coisa boa.

Ano A - DIA 30/09

As cidades que não creram

leitura Orante - Lc 10,13-16

Jesus continuou:
- Ai de você, cidade de Corazim! Ai de você, cidade de Betsaida! Porque, se os
milagres que foram feitos em vocês tivessem sido feitos nas cidades de Tiro e de Sidom, os seus
moradores já teriam abandonado os seus pecados há muito tempo. E, para
mostrarem que estavam arrependidos, teriam se assentado no chão, vestidos com
roupa feita de pano grosseiro, e teriam jogado cinzas na cabeça. No Dia do
Juízo, Deus terá mais pena de Tiro e de Sidom do que de vocês, Corazim e
Betsaida! E você, cidade de Cafarnaum, acha que vai subir até o céu? Pois será
jogada no mundo dos mortos!
Então disse aos discípulos:
- Quem ouve vocês está me ouvindo; quem rejeita vocês está me rejeitando; e
quem me rejeita está rejeitando aquele que me enviou.

Comentários

Os "ais" de Jesus
Este texto, praticamente com as mesmas palavras, está também no evangelho de
Mateus. Lucas inseriu-o no fim das orientações para a missão dos setenta e dois
discípulos, na Samaria. Temos aqui um contundente texto de imprecação. É um
estilo característico do Antigo Testamento, sendo também encontrado na
literatura grega. São os "ai" como anúncio de desgraça. Têm origem em
lamentações fúnebres, tendo passado ao uso literário como lamentações de
advertência sobre pessoas ou cidades passíveis de condenação. No evangelho de
Lucas encontramos quatro "ais" dirigidos aos ricos, em contraposição
às quatro bem-aventuranças e, como em Mateus, sete "ais" dirigidos
aos fariseus, censurando sua hipocrisia. As sentenças menos duras associadas às
cidades gentílicas de Tiro e Sidônia em relação às cidade de influência do
judaísmo, Corazim, Betsaida e Cafarnaum, indicam que os gentios estavam mais
abertos do que os judeus à acolhida da novidade de Jesus. A frase final encerra
as orientações para a missão. O missionário representa o próprio Jesus, enviado
do Pai.


José Raimundo Oliva