Evangelho (Comentado)

FONTES:

Ano B - DIA 01/05


Eu sou o caminho, a verdade e a vida! - Jo 14, 1-6


Jesus disse: "Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fosse assim, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também. E para onde eu vou, conheceis o caminho". Tomé disse: "Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?". Jesus respondeu: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim".


Comentários


As palavras de Jesus revelam o Pai


O trecho do evangelho é uma bela lição da via do conhecimento de Deus. O conhecimento de Deus se dá através de Jesus Cristo, "imagem do Deus invisível". O primeiro versículo do texto de hoje denuncia a ignorância dos discípulos: eles não conhecem Jesus, por isso não conhecem também o Pai, pois o Pai se revela no Filho (cf. Jo 14,9). Para conhecer o Pai, é preciso passar pelo Filho, que é a "porta" de acesso ao mistério de Deus (cf. Jo 10,9). Agora, é a vez de Filipe; seu desejo é ver o Pai. "Conhecer" para o evangelho de João é entrar em comunhão. Somente entrando em comunhão com Jesus é possível conhecer Deus, viver na intimidade de Deus. A intervenção de Filipe revela a incompreensão dos discípulos, ao mesmo tempo que permite a Jesus manifestar o seu desapontamento. Notemos que a incompreensão dos discípulos é um traço presente nos quatro evangelhos. A falta de fé impede de ir para além das aparências. Somente a fé permite reconhecer que diante de Jesus se está diante da presença de Deus. As palavras de Jesus revelam o Pai; o que Jesus realiza, as suas obras, dão testemunho de sua comunhão com o Pai.
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 02/05


Quem me viu, viu o Pai - Jo 14,7-14


"Se me conhecestes, conhecereis também o meu Pai. Desde já o conheceis e o tendes visto". Filipe disse: "Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta". Jesus respondeu: "Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: 'Mostra-nos o Pai'? Não acreditais que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim,realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras. Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei".
Comentários


Conhecendo Jesus é possível conhecer o Pai


A intervenção de Tomé permitiu a Jesus declarar: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". Jesus é o caminho pelo qual se chega à vida verdadeira; é nele que se revela a verdade de Deus. Chegar a Deus, conhecer a Deus somente por ele. Outra "provocação" de Jesus suscita uma nova intervenção: agora, Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta". Somente conhecendo Jesus, entrando em comunhão com ele, é possível conhecer o Pai. Ante o desejo manifestado por Filipe de ver o Pai, Jesus expressa o seu desapontamento: "Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheceis?". Moisés também fez esse pedido audacioso: "Rogo-te que me mostres a tua glória" (Ex 33,18). Falta fé: "Não acreditas...?" (v. 10). A fé permite reconhecer que, diante de Jesus, estamos na presença de Deus. Em Jesus descortina-se o rosto de Deus invisível. As palavras de Jesus são palavras que revelam o Pai, que mostram o Pai. Suas obras, o que ele faz, dão testemunho de que ele está no Pai e o Pai, nele.
Pe. Carlos Alberto Contieri

Ano B - DIA 03/05


Eu sou a videira e vós, os ramos - Jo 15,1-8


Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não dá fruto em mim, ele corta; e todo ramo que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim será lançado fora, como um ramo, e secará. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. Se permanecerdes em mim, e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.
Comentários


Somente a videira pode dar vida aos ramos


A liturgia da palavra deste domingo do tempo pascal nos convida a uma união profunda com o Senhor, a fim de produzirmos frutos. Os capítulos 13 e 14 e os capítulos 15 e 16 possuem de tal forma temas recorrentes, que os capítulos 15 e 16 parecem ser quase uma duplicata dos dois capítulos precedentes. Seja como for, para o leitor habitual do evangelho essas repetições servem para aprofundar temas importantes do quarto evangelho. O nosso texto de hoje é uma alegoria. A afirmação do v. 1 parece apresentar a possibilidade de haver uma "videira falsa". No entanto, o evangelho não informa explicitamente ao leitor do que, propriamente, se trata e o que seria essa videira falsa. Jesus é o tronco ao qual os ramos, símbolo dos discípulos, estão ligados. Ligados à videira é que os ramos recebem a seiva que possibilita produzir bom fruto. Somente a videira pode dar vida aos ramos; somente Jesus pode dar verdadeira vida aos discípulos que nele produzem os frutos. Daí o apelo de Jesus para que os discípulos "permaneçam" nele. Nesses poucos versículos, o verbo "permanecer" aparece oito vezes. Com isso é apresentado o tema importante do trecho que estamos considerando: trata-se de aceitar se deixar in-habitar por Jesus e por sua palavra e viver a vida nele. A fecundidade de nossa vida depende de nossa união com o Senhor através da oração. É através desse encontro pessoal que o Senhor nos "poda", nos purifica para que possamos produzir ainda mais frutos. Mas qual é o fruto esperado do discípulo que permanece unido a Cristo? Embora o trecho de hoje não nos diga explicitamente, podemos concluir a partir de outros textos que é o amor que deve ir além das palavras para se concretizar em obras e em verdade (cf. 1Jo 3,18). Santo Inácio de Loyola diz que "o amor se põe mais em gestos que em palavras". O Filho está profundamente unido ao Pai, por isso ele faz o que ele vê o Pai fazer (cf. Jo 5,19-20). Nossa participação na ação de Jesus é a realização do amor: "permanecei no meu amor", diz Jesus (Jo 15,9). Se o amor humano é portador de fecundidade, o amor divino o é muito mais. Ele produz obras boas, que iluminam e dão sentido a toda a existência humana.
Pe. Carlos
Ano B - DIA 04/05


Se alguém me ama, guardará a minha palavra - Jo 14,21-26


Jesus disse: "Quem acolhe e observa os meus mandamentos, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele". Judas (não o Iscariotes) perguntou-lhe: "Senhor, como se explica que tu te manifestarás a nós e não ao mundo?". Jesus respondeu-lhe: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras. E a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou. Eu vos tenho dito estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito".
Comentários


O amor é um modo de viver.


O amor de Deus precede e está na origem de todas as coisas; está na origem da encarnação do Filho único de Deus; é por amor que Deus entregou o seu Filho, e é por amor "até o fim" (cf. Jo 13,1) que o Filho aceitou viver a paixão e a morte numa cruz. Essa força do amor de Deus deve repercutir na vida do cristão: o primeiro na vida cristã não é fazer algo por alguém, mas sim aceitar que se é amado e escolhido por Deus. O agir em favor de alguém é fruto do reconhecimento desse amor primeiro de Deus (1Jo 4,19). Daí que, para o cristianismo, o amor não é uma ideia, nem boas intenções. O amor é um modo de viver. Amar Jesus, como diz o evangelho de hoje, é acolher e viver sua palavra. O mundo a que Judas se refere é tudo o que se opõe ao desígnio salvífico de Deus; é símbolo do fechamento do ser humano ao Deus
revelado em Jesus Cristo. É em razão desse fechamento e da recusa em ouvir a palavra de Jesus que o mundo não é capaz de reconhecer a manifestação de Deus em Jesus. É o Espírito Santo, enviado pelo Pai, quem fará os discípulos compreenderem o sentido de toda a
existência de Jesus.
Pe. Carlos


Ano B - DIA 05/05


Dou-vos a minha paz! - Jo 14,27-31a


Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração. Ouvistes o que eu vos disse: "Eu vou, mas voltarei a vós". Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Disse-vos isso agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais. Já não falarei mais convosco, pois vem o chefe deste mundo. Ele não pode nada contra mim. Mas é preciso que o mundo saiba que eu amo o Pai e faço como o Pai mandou.
Comentários


Na paz e no amor não há temor


A paz é dom do Cristo ressuscitado (Jo 20,19.26). Ela é fruto da presença do Senhor e, como tal, é imprescindível para a unidade na comunidade dos discípulos, uma vez que é a boa relação da pessoa com Deus e a boa relação entre as pessoas; relação caracterizada e construída no amor fraterno. Na paz e no amor não há temor. Jesus, o "Príncipe da paz", engajou toda a sua vida na reconciliação do gênero humano, tarefa que os discípulos devem continuar (cf. Mt 5,9). A partida de Jesus é para o Pai, mas a sua ausência não será sentida como abandono, já que, pelo Espírito Santo, estará sempre presente (cf. Mt 28,20; At 1,1-2). O retorno de Jesus ao Pai deveria ser motivo de alegria para o discípulo, uma vez que faz parte do desígnio de Deus. A paixão e a morte de Jesus, que são obras de Satanás, "chefe deste mundo" (v. 30), não devem afligir os discípulos, pois a vitória de Jesus é certa. Depois da ressurreição, a vitória de Jesus Cristo sobre o mal e a morte será o conteúdo específico da pregação cristã. A entrega de Jesus será para o mundo o testemunho de seu amor e da sua comunhão com o Pai.
Pe. Carlos Alberto Contieri

 


Ano B - DIA 06/05


Sem mim, nada podeis fazer! - Jo 15,1-8


Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não dá fruto em mim, ele corta; e todo ramo que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim será lançado fora, como um ramo, e secará. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. Se permanecerdes em mim, e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será dado.
Comentários


A comunhão com o Senhor


A encarnação do Verbo é iniciativa do Pai, por isso é que se diz que o Pai é o agricultor. Os ramos, por sua vez, dão fruto na medida em que estão unidos à videira. O nosso texto de hoje é uma alegoria. Jesus é o tronco ao qual os ramos, símbolo dos discípulos, estão ligados. Ligados à videira é que os ramos recebem a seiva que possibilita produzir bom fruto. Somente a videira pode dar vida aos ramos; somente Jesus pode dar verdadeira vida aos discípulos que nele produzem os frutos da caridade, do amor fraterno. Daí o apelo de Jesus de que os discípulos "permaneçam" nele. Nesses poucos versículos, o verbo "permanecer" aparece oito vezes. Com isso é apresentado o tema importante do trecho que estamos considerando: trata-se de aceitar se deixar in-habitar por Jesus e por sua palavra e viver
a vida nele. Característica do discípulo é a comunhão com o Senhor.
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 07/05


Permanecei no meu amor - Jo 15,9-11


Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.


Comentários


A fonte do amor é o Pai


Temos repetido algumas vezes: o amor do Filho por toda a humanidade é um amor "até o fim" (cf. Jo 13,1), um amor capaz de oferecer a própria vida em sacrifício (cf. Jo 10,17-18). O amor é o fruto esperado de quem permanece unido à videira verdadeira. A fonte do amor é o Pai. Com o mesmo amor com que o Pai ama o Filho, Jesus ama os seus discípulos (cf. Jo 13,1). O Pai ama criando o universo, gerando o Filho desde toda a eternidade, entregando-o à morte para que o mundo fosse salvo por ele (cf. Jo 3,16). A fonte da alegria dos discípulos está em se deixar in-habitar por esse dinamismo do amor divino. "Mandamento", aqui, deve ser entendido como o conjunto dos ensinamentos de Jesus, expressos nas suas palavras e nos seus gestos. O amor a Jesus tem uma exigência prática: é imitando o Senhor e vivendo os seus ensinamentos que o discípulo é habitado por seu amor. O amor engaja a pessoa num compromisso de comunhão profunda com quem é amado. O amor assim vivido é o caminho da verdadeira felicidade. Aliás, não há forma de viver o amor que não suponha a entrega de si mesmo. É o amor que dá sentido à existência humana e a todas as coisas.
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 08/05


Amai-vos uns aos outros - Jo 15,12-17


Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça. Assim, tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará. O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros.
Comentários


O amor é exigência de uma vida cristã autêntica


Esta segunda parte do discurso parabólico da videira é uma meditação sobre o amor tipicamente cristão. O amor fraterno é exigência primordial da vida em Cristo. O texto do evangelho de hoje é enquadrado pelo tema principal dessa parte do discurso: o amor fraterno. Na origem do amor do Filho pelos discípulos está o amor de Deus pelo Filho. O Filho é portador do amor do Pai e, pela sua vida, inclusive a sua vida entregue, ele o manifesta a todo o mundo. O amor é exigência e condição de uma vida cristã autêntica, sem hipocrisias. A medida do amor fraterno é a medida do amor de Jesus pelos seus discípulos. No seu amor pelos seus, ele deu a sua própria vida (cf. Jo 13,1). Os "amigos" de Jesus são, além dos discípulos, os leitores do evangelho, nós todos, por quem o Senhor entregou a sua vida e revelou a verdadeira face do Pai. Os relatos de vocação do Doze, nos quatro evangelhos, mostram que a iniciativa do chamado é Jesus (v. 16; cf. Mc 1,16-20; 3,13-19; Jo 6,70). Para poder produzir fruto do amor fraterno, os que são escolhidos devem partir, aceitar serem enviados pelo Senhor para testemunhar seu amor. Nesse sentido, toda a comunidade cristã é missionária.
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 09/05


O servo não é maior do que o seu senhor - Jo 15,18-21


Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como ama o que é seu; mas, porque não sois do mundo, e porque eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos odeia. Recordai-vos daquilo que eu vos disse: "O servo não é maior do que o seu senhor". Se me perseguiram, perseguirão a vós também. E se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa. Eles farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.
Comentários


No Senhor encontrar o apoio nas dificuldades


No tempo da perseguição por causa da fé, é preciso olhar para o Senhor que foi perseguido e rejeitado para aprender dele: não obstante toda perseguição, rejeição e traição por parte do seu próprio povo e discípulos, ele sempre se manteve fiel ao Deus que nunca o abandonou. É bastante provável que, em nosso texto de hoje, "mundo" represente a sinagoga que persegue os cristãos até a morte (cf. At 7; 9,1-2). No envio dos discípulos, Jesus os prevenia da possibilidade de resistência violenta contra a missão cristã (Lc 10,3; Mt 10,16). Já no prólogo do evangelho, João anuncia a rejeição do Verbo de Deus (1,5.10). No diálogo catequético-batismal de Jesus com Nicodemos, Jesus apresenta o motivo da rejeição da luz por parte dos homens: "porque suas obras eram más" (3,19). É em razão da configuração da vida à Cristo que o discípulo é perseguido. Mas é nessa comunhão com o Senhor que o discípulo deve encontrar o apoio para enfrentar a rejeição, a perseguição e até a ameaça da própria vida, e não sucumbir diante das adversidades próprias da missão. A razão da perseguição ou do ódio do mundo por aquilo que é de Deus é dupla: ignorância e falta de fé. Os perseguidores desconhecem o Pai e, por isso, não reconhecem que Ele enviou Jesus.
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 10/05


Permanecei no meu amor - Jo 15,9-17


Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça. Assim, tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará. O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros.
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O amor de Deus e o Deus que é amor


A liturgia da palavra deste domingo fala do amor de Deus e do Deus que é amor. Nós atingimos, aqui, o âmago da revelação do Novo Testamento. A fonte do amor é o Pai, mas para chegar até nós ele passa pelo Filho que se encarnou para a nossa salvação. Através de Jesus temos acesso ao amor do Pai que nos amou primeiro (cf. 1Jo 4,10). A alegoria da videira (15,1-8) tem sua explicação nos versículos seguintes, que são, grosso modo, uma meditação sobre o amor fraterno. O amor é o fruto esperado de quem permanece unido à videira verdadeira. A fonte do amor é o Pai. Com o mesmo amor com que o Pai ama o Filho, Jesus ama os seus discípulos (cf. Jo 13,1). O Pai ama criando o universo, gerando o Filho desde toda eternidade, entregando-o à morte para que o mundo fosse salvo por ele (cf. Jo 3,16). A fonte da alegria dos discípulos está em se deixar in-habitar por esse dinamismo do amor divino.
"Mandamento", aqui, deve ser entendido como o conjunto dos ensinamentos de Jesus, expressos nas suas palavras e nos seus gestos. O amor a Jesus tem uma exigência prática: é imitando o Senhor e vivendo os seus ensinamentos que o discípulo é in-habitado por seu amor. O amor engaja a pessoa num compromisso e comunhão profundos com quem é amado. O amor assim vivido é o caminho da verdadeira felicidade. Aliás, não há forma de viver o amor que não suponha a entrega de si mesmo. Os versículos 12 a 17 são enquadrados pelo tema principal dessa parte do discurso: o amor fraterno. Na origem do amor do Filho pelos discípulos está o amor de Deus pelo Filho. O Filho é portador do amor do Pai e, pela sua vida, inclusive a sua vida entregue, ele o manifesta a todo o mundo. O amor é exigência e condição de uma vida cristã autêntica, sem hipocrisias. A medida do amor fraterno é a medida do amor de Jesus pelos seus discípulos. No seu amor pelos seus, ele deu a sua própria vida (cf. Jo 13,1). Os "amigos"de Jesus são, além dos discípulos, os leitores do evangelho, nós todos, por quem o Senhor entregou a sua vida e revelou a verdadeira face do Pai. Os relatos de vocação do Doze, nos quatro evangelhos, mostram que a iniciativa do chamado é Jesus (v. 16; cf. Mc 1,16-20; 3,13-19; Jo 6,70). Para poder produzir fruto do amor fraterno, os que são escolhidos devem partir, aceitar serem enviados pelo Senhor para testemunhar o seu amor. Que o Senhor nos ajude a imitá-lo no amor que ele tem por cada um e por todos nós!
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 11/05


Dareis testemunho de mim - Jo 15,26

-16,4a


Quando, porém, vier o Defensor que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. E vós, também, dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. Eu vos disse estas coisas para que vossa fé não fique abalada. Sereis expulsos das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos matar, julgará estar prestando culto a Deus. Agirão assim por não terem conhecido nem ao Pai, nem a mim
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O Espírito Santo é dom do Pai e do Filho


O Espírito Santo é um Defensor que procede do Pai pelo Filho. Ele defende Jesus no coração dos discípulos para que estes não esmoreçam ou desanimem diante da perseguição. Agindo nos discípulos, o Espírito Santo os defende do poder da tentação. A promessa do Espírito Santo tem por finalidade consolar os discípulos no contexto da paixão e morte de Jesus. O Espírito Santo é dom do Pai e do Filho. O Espírito Santo é Espírito da Verdade porque ensina e recorda as palavras de Jesus. Missão do Espírito é dar testemunho de Jesus, e por que ele "permanece" nos discípulos, estes também darão testemunho de Jesus. O Espírito da Verdade é dado para o testemunho (cf. At 1,8). Dando testemunho de Jesus Cristo, a comunidade cristã será perseguida, em primeiro lugar, pelos judeus, de cujas sinagogas os discípulos de Jesus serão expulsos. É o Espírito quem sustentará a comunidade para que não esmoreça diante da perseguição. Equívoco, pois pensam defender Deus, e falta de conhecimento de Deus são as causas da perseguição dos cristãos por parte dos judeus. Com essa instrução Jesus se apresenta como verdadeiro profeta, cuja palavra se realiza.
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 12/05


Vos enviarei o Defensor - Jo 16,5-11


Agora, eu vou para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: "Para onde vais?". Mas, porque vos falei assim, os vossos corações se encheram de tristeza. No entanto, eu vos digo a verdade: é bom para vós que eu vá. Se eu não for, o Defensor não virá a vós. Mas, se eu for, eu o enviarei a vós. Quando ele vier, acusará o mundo em relação ao pecado, à justiça e ao julgamento. Quanto ao pecado: eles não acreditaram em mim. Quanto à justiça: eu vou para o Pai, de modo que não mais me vereis. E quanto ao julgamento: o chefe deste mundo já está condenado.
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O Espírito Santo nos abre para a alegria do Ressuscitado


Ao anúncio da partida de Jesus para o Pai, por quem ele foi enviado ao mundo, é associada a promessa do Espírito Santo, força e luz vinda de Deus e que revela a incredulidade como causa da rejeição de Jesus por parte dos judeus. Por causa do anúncio da partida de Jesus, os discípulos ficam profundamente entristecidos. Se a tristeza fecha o coração dos discípulos, o Espírito Santo o abre para a alegria do Ressuscitado e para o testemunho. Com a partida de Jesus e o dom do Espírito Santo, tem início uma nova etapa na vida dos discípulos: a do testemunho. O Espírito Paráclito, que é luz, não só revela a verdade de Jesus Cristo aos discípulos, mas também a verdade sobre o mundo. Lembremo-nos de que "mundo", aqui, significa tudo o que se opõe a Deus e tudo que resiste reconhecer que Jesus é o enviado do Pai. A verdade sobre o mundo é o seu pecado, isto é, a incredulidade que está na
base do julgamento iníquo de um inocente e de sua condenação à morte. Jesus é o inocente condenado à morte. O evangelho, que é fruto da experiência pascal dos que foram testemunhas oculares de tudo o que Jesus fez e ensinou, pode proclamar a vitória da cruz, a vitória de Jesus Cristo sobre o mal e a morte. A cruz se tornou penhor de nossa salvação.
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 13/05


O Espírito da Verdade - Jo 16,12-15


Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de compreender agora. Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu para vos anunciar. Tudo que o Pai tem é meu. Por isso, eu vos disse que ele receberá do que é meu para vos anunciar
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O Espírito orienta os discípulos à verdade de Jesus Cristo


O Espírito Santo, dom do Pai e do Filho, tem por missão fazer, na comunidade cristã, a memória de Jesus Cristo, conduzindo os discípulos à verdade de Deus revelada em Cristo. Revelação do mistério de Deus e compreensão da parte do homem não são atos simultâneos; o Espírito da Verdade faz os discípulos compreenderem que o mistério de Deus já estava presente na vida de Jesus de Nazaré. Mas as palavras de Jesus não se limitam ao tempo de sua vida terrestre; o Ressuscitado continua a instruir os seus discípulos através do seu Espírito Santo. O Espírito continua e prolonga na história a missão e a palavra de Jesus. O Espírito "guia", isto é, é ele quem orienta os discípulos à verdade de Jesus Cristo e é ele quem faz vir à luz o sentido das palavras do Senhor. Ele é "guia", uma vez que é o apoio indispensável para conhecer o mistério de Deus revelado em Jesus. Assim como Jesus fala do que ouviu do Pai, o Espírito fala o que tiver ouvido, isto é, o que é do Pai e do Filho, e, ao mesmo tempo, ele abre o coração do discípulo para oO futuro, aqui, diz respeito ao testemunho que os discípulos, iluminados pelo Espírito Santo, darão de Jesus Cristo. Nenhuma das pessoas divinas vive para si mesma, por isso, o Espírito anuncia pela boca dos discípulos o que é de Cristo.
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 14/05


Amai-vos uns aos outros - Jo 15,9-17


Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. [...]
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O amor é a força da vida


O amor que Jesus tem por nós é um amor capaz de ir "até o fim" (cf. Jo 13,1); é com esse imenso amor que o Pai ama o Filho. O convite feito aos discípulos é de permanecerem no amor de Jesus, isto é, de experimentarem e viverem o amor com o qual eles são amados por Jesus. O amor com o qual Jesus ama os discípulos deve ser a medida do amor fraterno. Nem mais nem menos! O amor é a força da vida, um dinamismo de entrega sem reservas ou condições; é um extasis, saída do eu fechado em si para o dom aos outros. O amor é uma verdadeira Páscoa. É esse amor que está na origem da escolha dos discípulos por Jesus. É esse mesmo amor que deve ser vivido e testemunhado na comunidade cristã. Os discípulos escolhidos por Jesus não têm qualquer mérito na sua vocação, pois foi o Senhor quem tomou a iniciativa de encontrá-los onde eles estavam. O fruto que se espera de quem é chamado é o amor fraterno. A realização do mandato do amor é a condição de uma vida cristã autêntica. Lembremo-nos de que o amor é a expressão máxima da vida cristã (cf. 1Cor 13).
Pe. Carlos Alberto Contieri


Ano B - DIA 15/05


... e o vosso coração se alegrará! - Jo 16,20-23a


Em verdade, em verdade, vos digo: chorareis e lamentareis, mas o mundo se alegrará. Ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora. Mas depois que a criança nasceu, já não se lembra mais das dores, na alegria de um ser humano ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza. Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada.
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Uma vida nova transforma o sofrimento


A morte de Jesus causou enorme decepção, frustração e sofrimento aos discípulos; ao mundo, aos que se opunham a Jesus e rejeitavam a sua mensagem, uma vitória aparente e passageira. Há, pelo menos, dois tipos de tristeza: a que paralisa e a que é fruto da indignação. A tristeza que abate e faz perder a esperança certamente não provém de Deus, mas do inimigo da natureza humana. Próprio de Deus é consolar, animar, encorajar para que, mesmo em meio à perseguição, os discípulos possam permanecer no Senhor e dar testemunho, pela entrega da própria vida, do Cristo ressuscitado. É na palavra do Cristo que o cristão fiel deve confiar: a tristeza se transformará em alegria, assim como a morte foi vencida pelo poder de Deus que ressuscitou o seu Filho dentre os mortos. Não há vida sem sofrimento. É o que acontece com a mulher que está para dar à luz. Mas a irrupção de uma vida nova transforma o sofrimento numa grande alegria - isso é uma verdadeira Páscoa! A alegria, que é dom do Cristo ressuscitado, ninguém nem nenhuma situação humana podem tirar. Ela é dada para permanecer mesmo em tempos difíceis, como no tempo da perseguição por causa da fé em Jesus Cristo.
Pe. Carlos Alberto Contieri