Evangelho (Comentado)

FONTES: 

  

Ano A - 10 de agosto de 2014

Mateus 14,22-33

Aleluia,
aleluia, aleluia.

Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor; eu espero em sua
palavra, Hosana, ó Senhor, vem, me salva! (Sl 129,5)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
14 22 Logo depois da multiplicação dos pães, Jesus
obrigou seus discípulos a entrar na barca e a passar antes dele para a outra
margem, enquanto ele despedia a multidão.
23 Feito isso, subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a
noite,estava lá sozinho.
24 Entretanto, já a boa distância da margem, a barca era agitada
pelas ondas, pois o vento era contrário.
25 Pela quarta vigília da noite, Jesus veio a eles, caminhando sobre
o mar.
26 Quando os discípulos o perceberam caminhando sobre as águas,
ficaram com medo: "É um fantasma!" disseram eles, soltando gritos de
terror.
27 Mas Jesus logo lhes disse: "Tranqüilizai-vos, sou eu. Não
tenhais medo!"
28 Pedro tomou a palavra e falou: "Senhor, se és tu, manda-me
ir sobre as águas até junto de ti!"
29 Ele disse-lhe: "Vem!" Pedro saiu da barca e caminhava
sobre as águas ao encontro
de Jesus.
30 Mas, redobrando a violência do vento, teve medo e, começando a
afundar, gritou: "Senhor, salva-me!"
31 No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e lhe
disse: "Homem de pouca fé, por que duvidaste?"
32 Apenas tinham subido para a barca, o vento cessou.
33 Então aqueles que estavam na barca prostraram-se diante dele e
disseram: "Tu és verdadeiramente o Filho de Deus".
Palavra da Salvação.
 
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

EM MEIO
  ÀS TEMPESTADES

  A cena evangélica desenrola-se em meio aos ventos, tempestades e ondas
  encapeladas, que põem em risco a vida dos discípulos, enquanto atravessam o
  mar da Galiléia. Além disso, é noite! A natureza toda parece ter-se colocado
  contra o pequeno grupo. O quê fazer neste contexto desesperador, quando todos
  já haviam sido tomados pelo medo?
  A salvação aparece com a chegada de Jesus. Embora a tempestade continue, ele
  lhes recomenda a não temer, mas confiar. Quando o Mestre está com eles, podem
  estar seguros
  de que não perecerão.
  A ousadia de Pedro, querendo por à prova o Mestre, acabou em fracasso. Amedrontado
  pelo vento furioso, começou a afundar. Sua falta de fé levou-o a duvidar da
  presença do Senhor. Donde o risco de quase ter sido tragado pelas ondas. Só
  se salvou porque recorreu a Jesus.
  Este fato ilustra a vida da comunidade cristã, atribulada por perseguições,
  verdadeiras tempestades que devem enfrentar. Quando tudo parece concorrer
  para fazer a comunidade sucumbir, é preciso reconhecer a presença salvadora
  do Mestre. Até mesmo as lideranças, representadas por Pedro, correm o risco
  de perder a fé. Atitude arriscada, que pode levar a todos de roldão. Só é
  possível salvar-se, recorrendo a Jesus: "Senhor, salva-nos!"
 
  Oração
  Espírito de entrega nas
  mãos de Deus, nos momentos de tempestade, faze-me perceber a presença
  salvadora de quem pode impedir-me de sucumbir.
 
  (O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório - Jesuíta,
  Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE


 

Ano A - 11
de agosto de 2014

Mateus
17,22-27

Aleluia, aleluia, aleluia.
Pelo Evangelho o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória de nosso
Senhor Jesus Cristo (2Ts 2,14).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
17 21 Enquanto caminhava pela Galiléia, Jesus lhes disse:
"O Filho do Homem deve ser entregue nas
mãos dos homens.
22 Matá-lo-ão, mas ao terceiro dia ressuscitará". E eles ficaram
profundamente aflitos.
23 Logo que chegaram a Cafarnaum, aqueles que cobravam o imposto da
didracma aproximaram-se de Pedro e lhe perguntaram: "Teu mestre não paga a
didracma?"
24 "Paga sim", respondeu Pedro. Mas quando chegaram à casa, Jesus preveniu-o,
dizendo: "Que te parece, Simão? Os reis da terra, de quem recebem os tributos
ou os impostos? De seus filhos ou dos estrangeiros?"
25 Pedro respondeu: "Dos estrangeiros". Jesus replicou: "Os filhos,
então, estão isentos.
26 Mas não convém escandalizá-los. Vai ao mar, lança o anzol, e ao
primeiro peixe que pegares abrirás a boca e encontrarás um estatere. Toma-o e
dá-o por mim e por ti".
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

A ISENÇÃO DO IMPOSTO
              Jesus
  encontrou-se numa situação constrangedora para sua consciência de Filho de
  Deus, quando quiseram saber se ele pagava, ou não, o imposto devido ao templo
  de Jerusalém. Os galileus, marginalizados do contexto religioso judaico,
  recusavam-se a pagá-lo. Isso gerava sérios conflitos. A resposta de Pedro aos
  cobradores de impostos mostra que Jesus não estava disposto a criar confusão
  por algo sem relevância. Entretanto, Jesus tinha consciência de estar
  dispensado de recolher o imposto do templo, tido como o lugar escolhido por
  Deus para estabelecer sua habitação. Sua condição de Filho de Deus isentava-o
  deste imposto.
              A
  submissão de Jesus à exigência da Lei tinha uma motivação pastoral. Ele não
  queria escandalizar os cobradores de impostos, ou seja, não queria criar
  neles resistência em relação ao Reino, nem fechá-los para uma eventual
  acolhida de sua mensagem. Uma atitude intransigente de Jesus, neste caso,
  poderia ter como efeito afastar dele pessoas que já não gozavam da estima do
  povo. Para elas Jesus se sentia enviado de modo especial.
              Foi Pedro
  quem pagou o imposto por si e por Jesus. Este gesto singelo ligava,
  definitivamente, seu destino ao do Mestre. Apesar dos percalços por que
  passaria sua relação com o Mestre, a sorte de ambos estava irremediavelmente
  ligadas.
   


 

Ano A - 12
de agosto de 2014

Mateus
18,1-5.10.12-14

Aleluia, aleluia, aleluia.
Tomai meu jogo sobre vós e aprendei de mim, que sou de coração humilde e manso!
(Mt 11,29)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
18 1 Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus
e perguntaram-lhe: "Quem é o maior no Reino dos céus?"
2 Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse:
3 "Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes
como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus.
4 Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino
dos céus.
5 E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que
recebe.
10 Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos
digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos
céus.
12 Que vos parece? Um homem possui cem ovelhas: uma delas se
desgarra. Não deixa ele as noventa e nove na montanha, para ir buscar aquela
que se desgarrou?
13 E se a encontra, sente mais júbilo do que pelas noventa e nove
que não se desgarraram.
14 Assim é a vontade de vosso Pai celeste, que não se perca um só
destes pequeninos".
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

AMAR OS PEQUENINOS
  O amor aos pequeninos deve ser um ponto de honra para a comunidade cristã.
  Trata-se, aqui, de atitudes concretas de apreço, incentivo e estima, mormente
  em relação a quem está dando os primeiros passos na fé, uma vez que, nem
  sempre, é capaz de superar os obstáculos com que se defronta. Corre-se o
  grande perigo de assumir, diante desses pequeninos, uma atitude farisaica de
  rigorismo, apresentando-lhes exigências descabidas, a ponto de jogá-los fora
  da comunidade cristã e afastá-los da salvação.
  A exortação de Jesus - "Cuidem de não desprezar um só destes
  pequeninos" - revela que a fé é uma dinâmica, cujos passos vão sendo
  dados pouco a pouco. É inútil querer impor-se aos demais, e determinar o
  ritmo que devem seguir.
  Quem está dando os primeiros passos deve ser objeto de especial atenção. O
  abandono de certos hábitos e a acolhida do modo de ser próprio do discípulo
  do Reino, muitas vezes, é muito penoso. A simples força de vontade ou a firme
  decisão de ser diferente podem mostrar-se insuficientes quando se trata de
  mudar de vida. O efetivamente conseguido não corresponde àquilo que se
  deseja. Nem por isso, a comunidade tem o direito de desfazer-se de quem vai
  caminhando com dificuldade. Pelo contrário, este deve ser objeto de atenção
  redobrada, para não vir a esmorecer na sua opção pelo Reino.


 

Ano A - 13
de agosto de 2014

Mateus
18,15-20

Aleluia, aleluia, aleluia.
Em Cristo, Deus reconciliou consigo mesmo a humanidade; e a nós ele entregou
esta reconciliação (2Cor 5,19).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18 15 "Se
teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se
te ouvir, terás ganho teu irmão.
16 Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que
toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas.
17 Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a
Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.
18 Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será
ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no
céu.
19 Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para
pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus.
20 Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu
no meio deles".
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

CORRIGIR COM DISCERNIMENTO
  É preciso agir com extremo discernimento, quando se trata de afastar um
  membro da comunidade do convívio fraterno. Em geral, as lideranças da
  comunidade são tentadas a deixar-se levar por critérios irrelevantes,
  revelando-se injustos contra quem cometeu uma falta. Uma decisão deste porte
  não pode depender de preconceitos ou do que pensam os líderes. Importa
  somente fazer a vontade de Deus.
  A comunidade cristã deve rezar e refletir muito, antes de excomungar alguém.
  Sua decisão deve corresponder ao pensamento de Jesus. Por isso, é necessário
  evitar que a reunião onde se toma uma tal decisão se assemelhe a um tribunal
  onde se submete a pessoa a um juízo inclemente. O melhor lugar para se
  decidir isso é a assembléia eucarística. A ela se refere a afirmação do Senhor:
  "Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, estou ali, no meio
  deles". Neste caso, trata-se de uma reunião bem específica, na qual a
  comunidade põe-se de acordo para pedir a luz divina, antes de decidir sobre a
  sorte do membro que errou. Se a comunidade pede com sinceridade, poderá estar
  certa de ser atendida pelo Pai.
  A decisão comunitária, se tomada seriamente, terá o aval de Deus. Ou seja, se
  o membro for desligado da comunidade terrestre, será também desligado da
  comunidade celeste. O Pai confirma o veredicto da comunidade que agiu com
  discernimento


 

Ano A - 14
de agosto de 2014

Mateus
18,21-19,1

Aleluia, aleluia, aleluia.
Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e
mandamentos! (Sl 118,135)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
18 21 Então Pedro se aproximou dele e disse: "Senhor,
quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete
vezes?"
22 Respondeu Jesus: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta
vezes sete.
23 Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar
contas com seus servos.
24 Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez
mil talentos.
25 Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse
vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida.
26 Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e
suplicava-lhe: 'Dá-me um prazo,
e eu te pagarei tudo!'
27 Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a
dívida.
28 Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço
que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou,
dizendo: 'Paga o que me deves!'
29 O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: 'Dá-me um prazo e eu te
pagarei!'
30 Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão,
até que tivesse pago sua dívida.
31 Vendo isto, os outros
servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha
passado.
32 Então o senhor o chamou e lhe disse: 'Servo mau, eu te perdoei
toda a dívida porque me suplicaste.
33 Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço,
como eu tive piedade de ti?'
34 E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse
toda a sua dívida.
35 Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar
a seu irmão, de todo seu coração".
19 1 Após esses discursos, Jesus deixou a Galiléia e veio
para a Judéia, além do Jordão.
Palavra da Salvação.
 
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

RECONHECER-SE PERDOADO
  A parábola evangélica visava desmascarar a intransigência de certos líderes
  da comunidade cristã primitiva, por demais severos, quando se tratava de
  perdoar as faltas alheias. Quiçá, o contraponto desta atitude fosse uma
  condescendência com os próprios pecados, para os quais fechavam os olhos.
  Tais líderes são comparados com o servo desalmado que, após ter sido perdoado
  de uma dívida incalculável, mostra-se sem compaixão para com o companheiro
  que lhe devia uma quantia insignificante. A quantia exagerada que o primeiro
  servo devia - dez mil talentos - sublinha que, por maior que fosse o perdão
  concedido aos membros faltosos, sempre seria inferior ao perdão que Deus
  concedia à liderança da comunidade. Em última análise, o perdão concedido
  deveria corresponder a um gesto de reconhecimento pelo perdão recebido de
  Deus.
  O senhor da parábola foi inclemente com o servo incapaz de ser
  misericordioso, uma vez que tinha sido, por primeiro, objeto de misericórdia.
  A lição é evidente. Quem não perdoa, não será perdoado. Quem não corresponde
  à misericórdia de Deus, sendo misericordioso com seu próximo, receberá o
  castigo divino. Quem não demonstra para com o próximo a mesma paciência que
  recebeu de Deus, será vítima da cólera divina. Portanto, quem se sabe
  infinitamente perdoado, tem a obrigação de estar sempre disposto a perdoar.


 

Ano A - 15
de agosto de 2014

Mateus
19,3-12

Aleluia, aleluia, aleluia.
Acolhei a palavra de Deus não como palavra humana, mas como mensagem de
Deus, o que ela é, em verdade! (1Ts 2,13)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 19 3 os fariseus vieram perguntar a Jesus
para pô-lo à prova: "É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo
qualquer?"
4 Respondeu-lhes Jesus: "Não lestes que o Criador, no começo, fez o
homem e a mulher e disse:
5 'Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua
mulher; e os dois formarão uma só carne'?
6 Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o
homem o que Deus uniu".
7 Disseram-lhe eles: "Por que, então, Moisés ordenou dar um
documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?"
8 Jesus respondeu-lhes: "É por causa da dureza de vosso coração que
Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim.
9 Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto
no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele
que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério".
10 Seus discípulos disseram-lhe: "Se tal é a condição do homem a
respeito da mulher, é melhor não se casar!"
11 Respondeu ele: "Nem todos são capazes de compreender o sentido
desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado.
12 Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há
eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se
fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender,
compreenda".
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

SUPERANDO UMA MENTALIDADE
  Jesus recusou-se a pactuar com a mentalidade de certas correntes rabínicas de
  sua época, no tocante à indissolubilidade do matrimônio. O modo superficial
  como colocavam o problema levava-os a se desviarem do projeto original de
  Deus.
  A introdução do divórcio, na Lei mosaica, era uma forma de concessão divina à
  dureza de coração do povo. "No começo não foi assim." Isto é, o
  divórcio não estava, originalmente, nos planos de Deus. Se a humanidade fosse
  menos obstinada e mesquinha, seria desnecessário prever o direito de o homem
  repudiar sua mulher.
  No projeto divino, o matrimônio corresponderia a uma união tão profunda entre
  os esposos, a ponto de se tornarem uma só carne. A comunhão, assim
  pensada, exclui qualquer possibilidade de separação. Esta corresponderia a
  privar o corpo humano de um de seus membros. O esposo separado da esposa e,
  vice-versa, seria, pois, um corpo mutilado.
  O discípulo do Reino sabe precaver-se da mentalidade divorcista leviana,
  esforçando-se por comungar com o pensar de Deus. E se recusa a agir como os
  fariseus, preocupados em conhecer os motivos pelos quais o marido pode
  repudiar sua mulher. O casal cristão, pelo contrário, interessa-se por
  conhecer aquilo que pode uni-lo mais ainda, de forma a consolidar a união
  realizada por Deus. E nada poderá separá-lo.
   
  Oração
  Espírito que gera comunhão, inspira os casais cristãos a buscarem sempre o
  caminho da consolidação dos laços matrimoniais, obra do próprio Deus.


 

Ano A - 16
de agosto de 2014

Mateus
19,13-15

Aleluia, aleluia, aleluia.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios
do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!
(Mt 11,25)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 19 13 foram, então, apresentadas a Jesus
algumas criancinhas para que pusesse as mãos sobre elas e orasse por elas. Os
discípulos, porém, as afastavam.
14 Disse-lhes Jesus: "Deixai vir a mim estas criancinhas e não as
impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham".
15 E, depois de impor-lhes as mãos, continuou seu caminho.
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

VENHAM A MIM AS CRIANCINHAS
              Ao
  apresentar seus filhos para serem abençoados por Jesus, algumas mães estavam
  rompendo um sistema de marginalização das crianças. Os discípulos
  repeliam-nas, de acordo com a mentalidade reinante: as criancinhas eram tidas
  como seres sem valor algum para ficar importunando o Mestre. Jesus se
  posicionou contra esta visão distorcida.
              O Reino
  anunciado por ele fundava-se na igualdade das pessoas. Era um Reino de
  comunhão e fraternidade. Portanto, não podia admitir a exclusão de quem quer
  que fosse. Às criancinhas, o Mestre disse estar reservado um lugar especial
  no Reino, pois este pertenceria a quem se parecesse com elas. O modo de ser
  dos pequeninos devia servir de modelo de comportamento do discípulo do Reino.
  Se dele as crianças fossem excluídas, o Reino ficaria privado de um
  referencial muito importante. Não que o ideal do discípulo é ser ingênuo e
  infantil, como se acredita serem as crianças. E sim, ser capaz de confiar
  plenamente em Deus, não buscar segurança por si mesmo, não ter o coração
  corrompido pela maldade.
              Ao impor
  as mãos sobre as criancinhas, Jesus reconhecia sua cidadania, no contexto do
  Reino. Por conseguinte, nas
  comunidades cristãs, as crianças teriam sua dignidade respeitada e não seriam
  inferiorizadas pelos adultos.
              Esta foi a
  vontade de Jesus que, ao implantar o Reino na história humana, recuperou o
  projeto de Deus para a humanidade


 

Ano A - 17
de agosto de 2014

Lucas
1,39-56

Aleluia, aleluia, aleluia.
Maria é elevada ao céu, alegram-se os coros dos anjos.

 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
39 Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a
uma cidade de Judá.
40 Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
41 Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança
estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42 E exclamou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres e
bendito é o fruto do teu ventre.
43 Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
44 Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a
criança estremeceu de alegria no meu seio.
45 Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas
que da parte do Senhor te foram ditas!"
46 E Maria disse: "Minha alma glorifica ao Senhor,
47 meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
48 porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me
proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
49 porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo
nome é Santo.
50 Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que
o temem.
51 Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos
soberbos.
52 Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
53 Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
54 Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
55 conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua
posteridade, para sempre.
56 Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para
casa".
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

A GLORIFICAÇÃO DE MARIA
  A festa da assunção de Nossa Senhora leva-nos a repensar todo o seu
  peregrinar neste nosso mundo, pois se trata de celebrar o desfecho de sua
  caminhada. O fim da existência terrena de Maria consistiu na plenificação de
  todos os seus anseios de mulher de fé e disponível para servir. A expressão
  "repleta de graça", dita pelo anjo, encontrou sua expressão consumada na
  exaltação dela junto de Deus.
  A estreita conexão entre a existência terrena de Maria e a sua sorte eterna
  foi percebida desde cedo pela comunidade cristã, apesar de a Bíblia não
  contar os detalhes de sua vida e de sua morte. A comunidade deu-se conta de
  que Deus assumiu e transformou toda a sua história, suas ações e seu corpo.
  O relato evangélico é um pequeno retrato de Maria. Sua condição de mãe do
  Messias, o "Senhor" esperado pelo povo, proveio da profunda comunhão com Deus
  e da disponibilidade total em fazer-se sua servidora. Expressou sua fé no
  canto de louvor - o Magnificat -, no qual proclamou as maravilhas do Deus e
  as grandezas de seus feitos em favor dos fracos e pequeninos.
  A comunhão com Deus desdobrava-se, na vida de Maria, na sua disponibilidade a
  servir o próximo. A ajuda prestada à prima Isabel é uma pequena amostra do
  que era a Mãe de Deus no seu dia-a-dia.
  Assunta ao céu, Maria experimentou, em plenitude, a comunhão vivida na Terra.
   
  Oração
              Pai,
  conduze-me pelos caminhos de Maria, tua fiel servidora, cuja vida se
  consumou, sendo exaltada por ti. Que, como Maria, eu saiba me preparar para a
  comunhão plena contigo.


 

Ano A - 18
de agosto de 2014

Mateus
19,16-22

Aleluia, aleluia, aleluia.
Felizes os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus (Mt 5,3).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
19 16 Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: "Mestre,
que devo fazer de bom para ter a vida eterna?" Disse-lhe Jesus:
17 "Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só
Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos".
18 "Quais?", perguntou ele. Jesus respondeu: "Não matarás, não
cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho,
19 honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo".
20 Disse-lhe o jovem: "Tenho observado tudo isto desde a minha
infância. Que me falta ainda?"
21 Respondeu Jesus: "Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens,
dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!"
22 Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque
possuía muitos bens.
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

FALTA-TE ALGO!
  O apego exagerado aos bens materiais é um terrível empecilho para o
  seguimento de Jesus. A dinâmica deste seguimento vai exigindo rupturas sempre
  mais radicais. Quem não está livre para fazê-las, ficará na metade do
  caminho.
  Na piedade judaica tradicional, a observância dos mandamentos da Lei mosaica
  era o primeiro passo a ser dado pelo fiel. Muitos se contentavam com este
  primeiro passo. Outros,
  como era o caso de uma tendência do farisaísmo, reduzia a observância do
  Decálogo a pura exterioridade. Os mestres da Lei, por sua vez, detinham-se em
  interpretações minuciosas dos mandamentos, complicando ainda mais a
  observância deles.
  O mero cumprimento dos mandamentos não é suficiente para tornar alguém
  discípulo do Reino e herdeiro da vida eterna.
  Jesus desafiou um jovem a desfazer-se de tudo quanto possuía, distribuindo
  seus bens entre os pobres, para fazer-se discípulo do Reino e tornar-se
  herdeiro da vida eterna. O rapaz, que havia sido fiel em guardar os
  mandamentos, não se sentiu preparado para fazer o que lhe faltava. O apego
  aos seus bens impediu-o de aceitar a sugestão de Jesus. E foi-se embora todo
  perturbado! Quem talvez esperasse um elogio acabou desiludido por ter sido
  incapaz de optar pela liberdade radical.
   


 

Ano A - 19
de agosto de 2014

Mateus
19,23-30

Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo, Senhor nosso, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, a
fim de enriquecer-nos mediante sua pobreza (2Cor 8,9).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 19 23 Jesus disse então aos seus
discípulos: "Em verdade vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos
céus!
24 Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma
agulha do que um rico entrar no Reino de Deus".
25 A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: "Quem
poderá então salvar-se?"
26 Jesus olhou para eles e disse: "Aos homens isto é impossível, mas
a Deus tudo é possível".
27 Pedro então, tomando a palavra, disse-lhe: "Eis que deixamos tudo
para te seguir. Que haverá então para nós?"
28 Respondeu Jesus: "Em verdade vos declaro: no dia da
renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória,
vós, que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as
doze tribos de Israel.
29 E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe,
mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna.
30 Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão
os primeiros".
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

A SORTE DOS RICOS
  Pode soar chocante ouvir de Jesus que um rico dificilmente entrará no Reino
  dos Céus. Ele que foi sempre tão misericordioso, teria preconceito contra os
  ricos? Por que, então, fecha-lhes as portas do Reino?
  Rico, no pensar de Jesus, é quem transforma os bens deste mundo em autênticos
  ídolos e fecha seu coração para Deus e para os irmãos; quem ama suas propriedades
  sobre todas as coisas, e, para protegê-las e fazê-las multiplicar, não hesita
  em lançar mão de qualquer artifício, mesmo injusto, desonesto, ilegal. A
  penúria do irmão necessitado não chega a sensibilizá-lo. Só pensa em si
  mesmo, em suas necessidades e em seus prazeres. Por conseguinte, não existe
  espaço para a graça atuar em seu coração. Neste caso, tornar-se impossível
  Deus chegar a ser, de algum modo, senhor de sua vida. Nele, o Reino de Deus
  não pode acontecer. Seu coração está bloqueado.
  Não é Deus quem fecha as portas do Céu para o rico. É este quem se recusa a
  entrar no Reino e assimilar sua dinâmica. Os apelos de Deus tornam-se inúteis
  e ineficazes. Embora Jesus deseje que o rico abra mão de seu projeto de vida
  egoísta e acolha o Reino, ele persiste em sua idolatria. O amor de Jesus não
  chega a tocá-lo.
  É por esta razão que é mais fácil um camelo atravessar o buraco de uma agulha
  do que um rico entrar no Reino dos Céus.
   


 

Ano A - 20
de agosto de 2014

Mateus
20,1-16

Aleluia, aleluia, aleluia.
A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções
do coração (Hb 4,12).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
1 Disse Jesus: "O Reino dos céus é semelhante a um pai de
família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua
vinha.
2 Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha.
3 Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na
praça sem fazer nada".
4 Disse-lhes ele: 'Ide também vós para minha vinha e vos darei o
justo salário'.
5 Eles foram. À sexta hora saiu de novo
e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo.
6 Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros
na praça e perguntou-lhes: 'Por que estais todo o dia sem fazer nada?'
7 Eles responderam: 'É porque ninguém nos contratou'. Disse-lhes
ele, então: 'Ide vós também para minha vinha'.
8 Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: 'Chama os
operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros'.
9 Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário.
10 Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber
mais. Mas só receberam cada qual um denário.
11 Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo:
12 'Os últimos só trabalharam uma hora e deste-lhes tanto como a
nós, que suportamos o peso do dia e do calor'.
13 O senhor, porém, observou a um deles: 'Meu amigo,
não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário?
14 Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto
quanto a ti.
15 Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz?
Porventura vês com maus olhos que eu seja bom?'
16 Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão
os últimos".
Palavra da Salvação.


 







 


 

Comentário do Evangelho


 

OPERÁRIOS DA ÚLTIMA HORA
  Os adversários de Jesus irritavam-se com a acolhida que ele dispensava a
  todos quantos eram vítimas da marginalização social e religiosa de sua época.
  Sua extraordinária misericórdia levava-o a fazer-se solidário das vítimas do
  desprezo e da arrogância. Todos, sem distinção, tinham lugar no seu coração.
  A parábola do proprietário de uma plantação de uvas ilustra esta sua
  disposição interior. A bondade do vinhateiro levou-o a sair sucessivas vezes
  para contratar operários para sua plantação, de modo a não haver indivíduos
  ociosos na praça. Até mesmo uma hora antes de terminar o expediente diário,
  ele saiu à procura de desocupados para lhes dar trabalho. Surpreendente é
  que, na hora de acertar as contas, os da última hora receberam tanto quanto
  os da primeira hora. Isto foi motivo de protesto para estes últimos, que
  consideraram injustiça receber salário idêntico aos que trabalharam pouco.
  O dono da vinha - imagem de Deus - age com misericórdia e bondade. E se
  recusa a fazer discriminações indevidas entre os seus diaristas. Uma justiça,
  falsamente entendida, tê-lo-ia levado a pagar aos últimos uma quantia bem
  inferior do que aquela paga aos primeiros. No caso de Deus, consistiria em
  conceder salvação abundante a uns, e relegar os demais a uma espécie de
  desprezo. Entretanto, como o modo divino de agir vai na direção contrária, a
  justiça é superada pela misericórdia. E todos são, igualmente, objetos de seu
  amor.
 
  Oração
  Espírito de bondade misericordiosa, que minha vida seja pautada pelo modo
  divino de agir, porque manifesta sua preferência por quem é vítima da
  marginalização.


 

Dia 21 de
Agosto - Quinta-feira

SÃO PIO X
PAPA E CONFESSOR
(Branco, Prefácio Comum ou dos
Pastores - Ofício da Memória)

Evangelho
(Mateus 22,1-14)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
22 1 Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas:
2 "O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do
seu filho.
3 Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não
quiseram vir.
4 Enviou outros ainda, dizendo-lhes: 'Dizei aos convidados que já
está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos,
tudo está preparado. Vinde às bodas!'
5 Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu
campo e outro para seu negócio.
6 Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram.
7 O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou
aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade.
8 Disse depois a seus servos: 'O festim está pronto, mas os
convidados não foram dignos.
9 Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos
achardes'.
10 Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam,
maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados.
11 O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a
veste nupcial.
12 Perguntou-lhe: 'Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste
nupcial?' O homem não proferiu palavra alguma.
13 Disse então o rei aos servos: 'Amarrai-lhe os pés e as mãos e
lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes'.
14 Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos".
Palavra da Salvação.
 

Comentário
ao Evangelho

A INGRATIDÃO CASTIGADA
A parábola evangélica resulta numa releitura da história de Israel e da Igreja.
O convite para participar do banquete preparado pelo rei, por ocasião do
matrimônio de seu filho, expressa o amor de Deus por seu povo. O povo eleito
era o convidado especial para participar do lauto banquete. Nada mais natural
do que responder afirmativamente, pois ter sido objeto da deferência de um rei
é algo de extrema relevância.
Os convidados, porém, recusam-se a comparecer, apesar da insistência do rei
que, por duas vezes, enviou seus emissários para convencê-los a vir. Estes não
fizeram caso. Cada um foi para os seus afazeres. Pior ainda, pegaram os servos,
maltrataram-nos, e os mataram. Simbolicamente aqui está retratada a atitude
insensata do povo de Israel que se recusou a ouvir os apelos à conversão, que
lhe foram dirigidos através dos séculos, por meio dos profetas. Por isso, foi
castigado com a destruição, pelas mãos dos romanos.
Estando pronto o banquete e tendo os primeiros convidados sido indignos de
participarem dele, o rei mandou seus emissários pelos caminhos para reunirem
maus e bons, de forma que a sala do banquete ficou repleta. Em outras palavras,
tendo Israel recusado o convite divino, este foi dirigido aos pagãos que o
acolheram, de maneira a formar o verdadeiro povo de Deus, a Igreja.

Dia 22 de
Agosto - Sexta-feira

NOSSA
SENHORA RAINHA
(Branco, Prefácio de Maria - Ofício
da Memória)

Evangelho
(Lucas 1,26-38)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo;
és bendita entre todas as mulheres da terra! (Lc 1,28
)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
1 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a
uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
27 a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa
de Davi e o nome da virgem era Maria.
28 Entrando, o anjo disse-lhe: "Ave, cheia de graça, o Senhor é
contigo".
29 Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria
semelhante saudação.
30 O anjo disse-lhe: "Não temas, Maria, pois encontraste graça
diante de Deus.
31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de
Jesus.
32 Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus
lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
33 e o seu reino não terá fim".
34 Maria perguntou ao anjo: "Como se fará isso, pois não
conheço homem?"
35 Respondeu-lhe o anjo: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e
a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que
nascer de ti será chamado Filho de Deus.
36 Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua
velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
37 porque a Deus nenhuma coisa é impossível".
38 Então disse Maria: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em
mim segundo a tua palavra". E o anjo afastou-se dela.
Palavra da Salvação.


 

Comentário
ao Evangelho

CONCEBIDA SEM PECADO
A festa da Imaculada Conceição leva-nos a pensar em Maria como a perfeita
discípula que correspondeu plenamente aos anseios de Deus, movida pela graça. A
fidelidade de Maria decorreu de um especial dom divino, o dom de nascer mais
integrada do que nós, com mais capacidade de ser livre e de acolher a proposta
divina.
            O anjo
Gabriel alude a este dom divino quando a saudou como "repleta de graça". Toda
envolvida pelo amor divino, Maria soube colocar-se, em total disponibilidade,
nas mãos de Deus, para cumprir sua santa vontade: "Eis a serva do Senhor,
faça-me em mim conforme a tua palavra". Uma tal comunhão com Deus excluía
qualquer traço de egoísmo e de pecado. Só a plenitude da graça permitiu-lhe ser
totalmente despojada de si para cumprir o projeto de Deus. Daqui brota a fé de
que Maria, mesmo antes de nascer, foi preservada do pecado.
            A condição
de agraciada por Deus não a eximiu do esforço de ser peregrina na fé,
necessitada de crescer e de aprender, como acontece com todo ser humano. Sua
originalidade consistiu em ter trilhado um caminho sempre positivo, sem fazer
concessões às paixões desordenadas, ou ao próprio querer. A grandeza de seu
testemunho de fé expressou-se na humildade com que o viveu, num contínuo
esforço de discernir a vontade de Deus e em ser solícita em cumpri-la.